Quem te convenceu que você vale menos?

Quem te convenceu de que você vale menos? Talvez ninguém tenha dito isso com todas as letras. Talvez essa ideia tenha sido construída aos poucos, em olhares, comparações, críticas, silêncios e rejeições. O fato é que muitas pessoas atravessam a vida acreditando que precisam provar o próprio valor o tempo todo, como se existir, por si só, não fosse suficiente.

Quase nunca percebemos quando essa maneira de viver começa. Ela costuma nascer aos poucos, em experiências que nos ensinam, de forma direta ou sutil, que nossos sentimentos não importam tanto, que nossas opiniões valem menos ou que só seremos aceitos se correspondermos às expectativas de alguém. Com o tempo, deixamos de ouvir apenas essas vozes e passamos a repeti-las para nós mesmos.

É assim que muitas pessoas passam a viver em função da aprovação dos outros. Trabalham além do limite, assumem responsabilidades que não lhes pertencem, pedem desculpas até quando não fizeram nada de errado e dizem “sim” mesmo quando tudo dentro delas gostaria de responder “não”. Não porque sejam fracas ou incapazes, mas porque, em algum momento da vida, aprenderam que preservar os próprios limites poderia custar carinho, afeto ou pertencimento.

O problema é que viver dessa forma tem um preço. Quem nunca consegue dizer “não” acaba dizendo “sim” para o cansaço, para a sobrecarga e, muitas vezes, para relações que deixam de ser saudáveis. Aos poucos, a pessoa deixa de reconhecer os próprios desejos e passa a viver apenas tentando atender às expectativas de quem está ao seu redor.

Reconhecer o próprio valor não significa sentir-se melhor do que ninguém. Significa entender que a nossa vida também merece cuidado, que nossos sentimentos têm importância e que estabelecer limites não é um ato de egoísmo. É uma forma de respeito por si mesmo e, muitas vezes, também pelas relações que construímos.

Uma das tarefas mais difíceis da vida é abandonar a ideia de que precisamos conquistar o direito de existir. Esse direito nunca precisou ser merecido. Ele sempre foi nosso.

Vale a pena fazer uma pergunta sincera: em que momento você começou a acreditar que precisava agradar a todos para ser aceito? Talvez você não encontre uma resposta imediata. Mas, ao fazer essa pergunta, já começa a olhar para si com menos culpa e mais compreensão.

Ninguém deveria passar a vida inteira acreditando que ocupa um lugar menor no mundo. Todos nós temos o direito de existir com dignidade, de sermos ouvidos, de estabelecer limites e de dizer “não” quando for necessário. Afinal, uma vida vivida apenas para satisfazer as expectativas dos outros dificilmente será, de fato, a nossa própria vida.

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