Glória, Glória, Glória, Joanna!
Benditas as vozes que te enlouqueceram os ouvidos!
Mas foste tu, ó Joanna, quem ergueu as mãos aos céus,
Enquanto o raio partia teu coração, entre a fé e o sangue apartados ao fio da espada!
Glória, Glória, Glória, Joanna!
Benditas as cavalgadas que ergueram o estandarte ao alto,
Desviando os olhos de teus soldados das feridas e do sofrimento,
Para que vislumbrassem a vitória que viria com os anjos!
Ó Joanna D’Arc!
Teus inimigos não foram os exércitos estrangeiros;
Foram a cobiça e o poder que entregaram ao fogo
Da fogueira acesa por tua gente, queimando tua carne, tua alma e teu ideal!
Das traições vêm as primeiras recomendações de cuidado,
Dadas por Nossa Senhora de Nazaré aos filhos que descem à Terra;
E os homens vestindo casulas, e nobres de olhares vidrados, entregaram-te
Ao suplício dos miseráveis, ante o céu que amparava tua angustiada chegada!
Ó Joanna D’Arc, tua espada foi tua fé e teu pecado!
Ó Joanna D’Arc, tua missão cumpriu-se em época de loucos e brutos!
Ó Joanna, tens agora, marcado em teu coração, a cruz de luz ungida de amor!
Ó Joanna, do que um povo oprimido precisa?
Será de fé?
Será de libertação?
Quem são os inimigos? Quem são os aliados vendidos?
Os mercadores invadiram as igrejas;
Os governos estão repletos de reis depostos que buscam seus feudos e reinos.
Sofre o homem simples, sofrem os tempos…
Ó Joanna, traz teu estandarte para nos guiar nestes campos de escuras brumas!
Sê com teus novos exércitos,
Que trocaram lanças e espadas por orações, luz e o abrigo do amor!
Sê a nosso favor para nos libertar, pois nossas mentes ou estão doentes, ou infantis;
Brincamos de vida e morte sem nos importar com o que nos espera pela obra torta!
Fazei-nos acordar!
Fazei-nos lutar contra as nossas próprias trevas!
Fazei-nos prumo em reta jornada ao nosso Pai e Senhor!
Glória, Glória, Glória, Joanna!
Que teu ventre imaculado gere em nós o espírito da coragem,
Para vencermos nosso maior inimigo: a ignorância que empunha a espada
Dos vícios mil que nos acompanham pelos séculos, apunhalando-nos com o fio afiado sobre nossas cabeças!
Ó Joanna D’Arc!
Ouve minha prece louvando o teu valor!
Sê por mim, sê por meus irmãos, libertai-nos! Seja a tua voz a nos guiar:
Em vez da loucura, uma suave canção; hinos de fé no paradoxo da bravura pela paz e da entrega ao amor, somente ao amor!
Ó Joanna D’Arc!
Glória, Glória, Glória!
O meu incondicional amor, confiança e esperança nestes meus tempos de paz,
Nestes meus tempos de renovada união com a menor porção do meu ser,
Que ainda resiste às minhas próprias, loucas e tristes guerras,
Que tentam transpor as muralhas e me vencer de vez!
Nilton Bustamante


