A vaidade e o poder

Autor Mário Doro

A Vaidade e o Poder — Um Teatro de Pequenez
Vivemos uma era em que a vaidade deixou de ser defeito discreto e virou política pública informal. Não se governa — se posa. Não se trabalha — se encena. O que deveria ser serviço virou espetáculo barato para plateias anestesiadas.

A vaidade contemporânea não quer construir nada. Ela quer aparecer. É o aplauso fácil, a foto calculada, o discurso raso embalado como virtude. E o mais grave: quanto mais vazia, mais barulhenta. Quanto menos conteúdo, mais arrogância.

Na política local — e não só nela — proliferam figuras que confundem mandato com coroa. Eleitos pelo povo, rapidamente se colocam acima dele. Criam uma aura artificial de autoridade, quando na prática são apenas funcionários temporários com ego inflado.

Quando perguntam se estão indo bem, não querem resposta — querem validação. Querem o afago que sustenta a própria fantasia. Mas a verdade é simples e indigesta: não basta ocupar um cargo, é preciso merecê-lo todos os dias.

Essa obsessão pela imagem revela algo mais profundo: uma pobreza moral disfarçada de protagonismo. A vaidade vazia é o esconderijo perfeito para a incompetência. Quem não entrega resultado, entrega pose. Quem não tem conteúdo, investe em aparência.

E assim seguimos: governados por narrativas, conduzidos por egos, distraídos por performances. Enquanto isso, os problemas reais permanecem — ignorados, adiados, maquiados.

A chamada “autoridade” que se sustenta na vaidade não passa de uma caricatura. Um personagem frágil, dependente de aplausos, incapaz de encarar a própria insignificância sem o respaldo de um título.

A verdade, nua e incômoda, é esta:
o poder, quando sustentado pela vaidade, não passa de um vazio com crachá.
E o mais perigoso não é quem se acha grande —
é quem aceita, em silêncio, essa mediocridade como normal.

Mario Doro

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