Uma Vez ao Dia
As pessoas deveriam,
Ao menos uma vez por dia, caminhar mansas por meia hora, contornar o quarteirão, contemplar os detalhes das casas, das calçadas, o traçado sinuoso das ruas, assistir às árvores em dança com o vento…
Olhar para o alto e ter a fortuna de ver os pássaros a cruzar o céu — esse vasto espaço que ingenuamente julgamos vazio (como se agiganta a beleza do céu, até mesmo quando se veste de nuvens para parir a tempestade).
O céu sempre suaviza a alma. Convém caminhar e aproveitar para notar as formigas no chão, desviar os passos para deixá-las seguir seus pequenos desígnios; respeitar, quem sabe, o voo breve de uma borboleta; perceber o ritmo manso da própria respiração e soltar os braços, os ombros…
Distribuir abraços em pensamento, livres do medo de que o tempo escorra ou de que se perca alguma coisa.
Andar em companhia de si mesmo, varrer os pensamentos, desatar os nós e descarregar os pesos.
Não há justificativa para adiar o cuidado com a sanidade da mente e o refúgio da alma!
Ter por meta o encontro consigo mesmo todo santo dia: eis o melhor e mais barato dos remédios. . .
Sugestão inspirada por Nilton Bustamante .


