Quem venceu as eleições de 2026?

Quem venceu as eleições de 2026?

Eis que o pleito eleitoral de 2026 chega ao fim. Em alguns estados faltava ainda decidir quem seriam os governadores eleitos, mas em âmbito nacional, os olhos se voltavam para o futuro presidente do país: quem ocuparia esse posto durante os próximos quatro anos.

            Luiz Inácio Lula da Silva foi o presidente eleito para o seu quarto mandato e já no domingo à noite, essa notícia se confirmava e começava a circular dentro e fora do país.

            É bem verdade que essa eleição teve um tom um pouco diferente das demais, mesmo reconhecendo que nenhum pleito é igual ao outro. Mas, nesse caso, a defesa de um sistema democrático era o alvo dessa disputa. No campo democrático, poderíamos afirmar que com a vitória de Lula, foi a democracia quem ganhou as eleições deste ano.

            Isso porque, não é segredo para ninguém – que acompanha cotidianamente por fontes fidedignas de informação o debate político – que o adversário de Lula se colocava como um representante da extrema-direita, com defesas, no mínimo, questionáveis no âmbito de uma sociedade democrática de direito. Alguém com certo apreço por regimes autoritários e fascistas!

            Extrema-direita essa que está em ascensão no mundo como um todo e que tem especial interesse pelo Brasil, país de dimensões continentais, estratégico nas relações político-econômicas em âmbito global. São defesas desse campo o ultraconservadorismo, o nacionalismo exacerbado, o autoritarismo e a forte oposição ao campo político-ideológico oposto e ao modelo de democracia vigente. Além da defesa e imposição de pautas conservadoras, da “lei e da ordem”, da família tradicional, dos valores religiosos, morais e conservadores e a oposição de pautas progressistas.

            Não à toa vimos um movimento inédito nesse pleito com a união entre direita e esquerda contra a extrema-direita. Quem comunga dessa compreensão e aderiu a essa defesa entendia o quão danoso seria para o país receber de braços abertos a extrema-direita enquanto ideário político-ideológico de gestão pública. Isso sem mencionar, mas já mencionando, a exploração desenfreada e o saque destemido que seria feito em toda riqueza deste país.

Vale lembrar – importante que não nos esqueçamos – que o representante deste espectro político, que disputava a vaga do executivo federal, tem um histórico de atuação contrário a pautas ambientais. Durante suas mais de duas décadas de atuação parlamentar, sua defesa sempre foi de que as leis de proteção ambiental existentes impediam o desenvolvimento econômico do país, com propostas e defesas que se voltaram para a extinção de reservas legais, flexibilização de licenciamentos, apoio ao marco temporal e medidas voltadas à exploração econômica das florestas, matas e reservas ambientais. Mesmo atualmente, em plena crise climática!

Soma-se a isso que tal candidato carrega em suas costas alguns inquéritos em andamento junto ao Supremo Tribunal Federal, como o financiamento do filme “Dark Horse” (uma cinebiografia sobre o pai – Jair Messias Bolsonaro), no qual é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. E outro processo que tem ganhado visibilidade ultimamente referente a casas de apostas (bets), onde é suspeito de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo grande movimentações financeiras.

            E a cereja do bolo é o não reconhecimento dele pela derrota nas urnas e sua debandada para os Estados Unidos, não dando sequer uma declaração aos quase sessenta milhões de brasileiros que depositaram sua confiança nele e, ao que parece e tem sido anunciado, sequer seus aliados próximos sabiam desta fuga repentina.

            Muito ainda caberia dizer o quão a democracia ganhou com a eleição de Lula nestas eleições. Ganhou o país, ganhou o mundo em barrar a extrema-direita, especialmente na América Latina.

Ainda que tenhamos críticas ao mandato do presidente reeleito, podemos manifestá-las, porque vivemos em uma democracia; também podemos e devemos seguir pressionando seu mandato, quando necessário, e apoiando, de modo contínuo, o presidente eleito com a força que se construiu para virarmos o jogo, até porque ele vai precisar, já que muitos defensores da extrema-direita irão ocupar uma cadeira no Congresso Nacional a partir de 2027!

Gisele A. Bovolenta – assistente social e professora na Universidade Federal de São Paulo

***

Siga o JORNAL EM DIA BRAGANÇA no Instagram: https://instagram.com/jornalemdia_braganca  e no Facebook: Jornal Em Dia

Receba as notícias no seu WhatsApp pelo link: https://chat.whatsapp.com/Bo0bb5NSBxg5XOpC5ypb9D

agenciarusso

Saber mais →

Deixe um comentário