Nos anos 1980, na agência MPM Rio tínhamos a conta dos cigarros Hollywood. Usávamos músicas como trilhas sonoras dos comerciais na TV.
Uma delas foi a música WOMAN IN CHAINS (Mulheres Acorrentadas), da banda Tears For Fears.
A letra foi um manifesto voltado totalmente para o sofrimento da mulher.
Um dos versos era: “É um mundo de homens loucos, loucos, loucos. E uma mulher em correntes”.
Ou seja, já naquele tempo as mulheres eram escravas e vítimas dos homens.
Hoje vejo que, infelizmente, o mundo está ainda pior para elas.
Já falei sobre o tema neste espaço. Mas quero voltar ao assunto.
O feminicídio no Brasil atingiu o patamar de 1.568 vítimas em 2025, consolidando-se como o maior número registrado desde que o crime foi tipificado pela Lei nº 13.104/2015.
Esse total representa uma média de quatro mulheres mortas por dia e um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
O crescimento contrasta diretamente com a queda geral das mortes violentas intencionais no país.
Embora o Ministério da Justiça tenha apontado uma queda nos primeiros sete meses de 2026, o cenário histórico acumulado exige atenção urgente para os fatores de risco e perfis mais vulneráveis.
Perfil e Contexto do Crime.
Os dados consolidados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) traçam características claras de como e onde esse crime ocorre:
O agressor: Em quase 90% dos casos, o autor do crime é o parceiro ou ex-parceiro da vítima, motivado pelo sentimento de posse, ciúmes ou pela recusa em aceitar o fim do relacionamento.
O local: Cerca de 65% dos assassinatos acontecem dentro da própria residência da vítima, tornando o lar o espaço de maior vulnerabilidade.
Perfil das vítimas: As mulheres negras correspondem a 64% das vítimas. A faixa etária predominante concentra-se entre 18 e 44 anos.
Estados mais violentos: Proporcionalmente, as maiores taxas de feminicídio por grupo de 100 mil mulheres ocorrem no Acre (3,2), seguido por Rondônia (2,9) e Mato Grosso do Sul (2,7).
O Ciclo da Violência e Prevenção.
O feminicídio raramente acontece de forma isolada; ele é o desfecho trágico de um ciclo contínuo de agressões.
Para cada crime consumado, registram-se quase três tentativas de feminicídio, além de centenas de ameaças e episódios de lesão corporal prévios.
Especialistas reforçam que o aumento das penas — que passou a variar de 20 a 40 anos de reclusão após endurecimento recente na legislação — não é suficiente sem o fortalecimento de redes de apoio.
Há uma necessidade crítica de fiscalizar com maior rigor as medidas protetivas de urgência, já que o descumprimento dessas ordens judiciais cresceu significativamente, deixando muitas mulheres desamparadas.
Até quando vamos ver machões matando mulheres, algumas na frente dos próprios filhos.
Até quando teremos esses abusos?
Até quando?


