Antes de receber um diagnóstico, muitas mulheres autistas já receberam adjetivos.
Difícil. Fria. Dramática. Antissocial. Arrogante. Ingênua. Mimada. Sensível demais. Estranha. Mal-educada.
Há algo particularmente violento nessa sequência: o diagnóstico, quando finalmente chega na vida adulta, não inaugura a história. Chega atrasado a uma história que outras pessoas já interpretaram por conta própria.
A menina que não suportava certas roupas fazia escândalo. A adolescente que precisava se isolar depois da escola era antissocial. A jovem que não entendia as ambiguidades de uma relação era ingênua. A mulher que ensaiava mentalmente uma conversa antes de tê-la era tímida, insegura, complicada.
Não é que ninguém tenha visto. Viram. Talvez esse seja justamente o problema: viram comportamentos, dificuldades, recusas, silêncios, crises, inadequações, mas não encontraram uma linguagem capaz de organizar aquilo que estavam vendo sem transformá-lo em defeito.
Primeiro veio o julgamento. Muito depois, para algumas, veio a palavra autismo.
Uma das perguntas mais importantes sobre o diagnóstico tardio em mulheres talvez não seja por que ninguém percebeu antes. É outra: o que estavam tão ocupados enxergando naquela mulher que não conseguiram enxergar o autismo?
A menina que falhou em ser menina
Meninas não crescem apenas aprendendo regras sociais. Crescem sendo avaliadas pela capacidade de incorporá-las.
Existe uma educação miúda da feminilidade que raramente precisa ser anunciada: quando sorrir, não falar alto demais, não ser agressiva demais, perceber quando alguém está desconfortável, demonstrar interesse, cuidar, acolher, fazer amizades. Ser agradável sem parecer artificial. Bonita sem parecer vaidosa demais. Inteligente sem humilhar. Discordar sem ser hostil.
E, principalmente, perceber. Perceber o clima. Perceber a indireta. Perceber que alguém ficou chateado embora tenha dito que estava tudo bem. Perceber que aquela frase não deveria ter sido interpretada literalmente. Perceber aquilo que ninguém explicou porque, aparentemente, todas as outras meninas já sabiam.
Uma menina autista pode encontrar dificuldades justamente nesse território. Isso não quer dizer que meninas e mulheres autistas sejam incapazes de empatia, afeto ou compreensão do outro (caricaturas que por muito tempo empobreceram a própria concepção social do autismo). Quer dizer que certas convenções sociais podem não ser intuitivas, que determinados ambientes exigem um processamento exaustivo, e que aquilo que parece espontâneo para quem observa pode ser, na verdade, fruto de anos de aprendizagem deliberada.
O problema é que a sociedade não encontra uma menina autista em um laboratório. Encontra uma menina. E já tem ideias prontas sobre o que uma menina deveria saber fazer.
Quando ela falha, sua diferença raramente é lida como diferença neurológica. Vira caráter.
Ela não tem dificuldade de entender uma dinâmica social: ela é inconveniente. Ela não está sobrecarregada: ela é dramática. Ela não precisa de previsibilidade: ela quer controlar tudo. Ela não fala de maneira direta: ela é grossa.
Há uma violência peculiar nisso. A menina pode não parecer autista o suficiente para ser reconhecida como autista e, ao mesmo tempo, parecer feminina de menos para escapar da correção. Ela fica em algum lugar entre o não reconhecimento e a punição: não é identificada, mas aprende que precisa mudar.
Aprender a parecer natural
Entre mulheres diagnosticadas tardiamente, os relatos de camuflagem se repetem na literatura: observar outras pessoas, imitar expressões, preparar assuntos, ensaiar respostas, controlar movimentos, forçar ou administrar o contato visual, estudar a forma como outras mulheres se vestem, conversam, demonstram interesse e constroem intimidade.
Bargiela, Steward e Mandy encontraram, entre mulheres diagnosticadas no fim da adolescência ou já adultas, algo que as próprias participantes descreveram como *pretending to be normal*, fingir ser normal. Os relatos incluíam profissionais que não reconheceram o autismo delas e conflitos constantes entre traços autistas e as concepções tradicionais de feminilidade.
Mas existe um perigo quando essa história começa a ser contada de forma confortável demais.
“Mulheres mascaram melhor.”
A frase parece explicar tudo. Não explica. Primeiro porque a camuflagem não é exclusiva das mulheres. Segundo porque transformar o *masking* numa espécie de competência feminina extraordinária corre o risco de romantizar algo que, para muitas pessoas autistas, custa caro.
A pergunta interessante não é como as mulheres aprenderam a mascarar. É por que precisaram aprender.
E aqui o feminismo oferece uma chave que a neurologia sozinha não dá conta de oferecer: mulheres neurotípicas também aprendem performance. Também aprendem a observar o próprio corpo, a modular comportamentos, a evitar certas reações, a sorrir quando não querem sorrir, a administrar a impressão que produzem.
A feminilidade nunca foi simplesmente espontânea. Ela também é ensinada. Vigiada. Premiada. Punida.
Para algumas mulheres autistas, então, há pelo menos duas aprendizagens acontecendo ao mesmo tempo: parecer neurotípica e parecer adequadamente feminina. Não basta aprender a sobreviver à interação. É preciso aprender como uma mulher deve sobreviver a ela.
Ser uma mulher suportável
Talvez por isso não baste falar de *masking* apenas como estratégia diagnóstica. Existe uma dimensão política nessa adaptação.
Mulheres são historicamente ensinadas a não causar desconforto. A não ocupar espaço demais, não exigir demais, não recusar de forma desagradável, não reagir com intensidade, não transformar necessidades próprias em problema coletivo. A mulher agradável é aquela que administra não só a si mesma, mas o conforto de quem está ao redor.
Agora imagine o custo disso quando certas luzes machucam. Quando os sons competem entre si. Quando uma conversa em grupo exige acompanhar conscientemente expressões, intenções e turnos de fala. Quando uma mudança inesperada desorganiza tudo. Quando socializar por horas cobra uma conta que ninguém vê. Quando dizer “eu preciso ir embora” significa também admitir uma necessidade que, aparentemente, as outras pessoas não têm.
A adaptação pode ser útil, pode até ser escolhida, pode ampliar a autonomia de alguém. Mas há uma diferença entre aprender estratégias e aprender que só se merece pertencer enquanto ninguém perceber o esforço que custa estar ali. Essa diferença importa, porque em algum momento a pergunta deixa de ser “ela consegue fazer isso?” e passa a ser: quanto custa parecer que consegue?
A mulher autista que inventamos
Há algo ainda mais incômodo. Nos últimos anos, começamos finalmente a falar mais sobre mulheres autistas. Isso é necessário. Mas quem exatamente imaginamos quando dizemos “mulher autista”?
A literatura contemporânea sobre camuflagem carrega sua própria advertência: uma revisão sistemática de estudos sobre *masking* encontrou amostras compostas majoritariamente por pessoas autistas brancas, mulheres, diagnosticadas tardiamente e com determinadas características cognitivas e verbais.
Isso quer dizer que parte do conhecimento usado para corrigir décadas de centralidade masculina também foi construído observando um subconjunto bastante específico de mulheres. O risco é evidente: durante décadas, o homem branco funcionou silenciosamente como protótipo. Agora corremos o risco de cometer um erro mais sofisticado: substituí-lo pela mulher branca e chamar isso de diversidade.
Não basta perguntar onde estavam as mulheres. É preciso perguntar quais mulheres conseguimos encontrar quando finalmente começamos a procurá-las.
A mulher branca também tem raça
Existe um hábito curioso na produção do conhecimento: pessoas negras têm raça, pessoas asiáticas têm raça, pessoas indígenas têm raça. Pessoas brancas, aparentemente, são só pessoas. A branquitude desaparece justamente porque ocupa a posição que historicamente nunca precisou ser nomeada.
Isso também precisa ser recusado quando falamos de autismo feminino. Dizer que uma literatura é predominantemente branca não significa afirmar que mulheres brancas não sofram com diagnóstico tardio, capacitismo, violência, pobreza, misoginia ou abandono. Significa algo mais preciso: a experiência de mulheres brancas não pode servir de sinônimo para a experiência das mulheres.
Branca é uma posição racial. Não é ausência de raça.
Uma mulher branca autista pode atravessar décadas sem diagnóstico e sofrer profundamente com isso. Mas sua história não nos diz automaticamente como o comportamento de uma menina negra será interpretado, nem como uma mulher amarela vai negociar sua identidade dentro de contextos culturais, familiares e raciais específicos.
Não existe contradição em reconhecer sofrimento e privilégio ao mesmo tempo. A interseccionalidade existe justamente porque poder não funciona como uma tabela simples, em que somamos vantagens e desvantagens até descobrir quem sofreu mais.
Quando a menina é negra
É aqui que os limites do nosso conhecimento ficam constrangedores.
Uma revisão de 77 anos de pesquisa sobre autismo encontrou apenas três estudos que colocavam mulheres e meninas negras no centro da investigação. Três, em mais de sete décadas. E nenhum deles, segundo os critérios dos próprios autores da revisão, chegava a realizar plenamente uma análise interseccional.
Vale a pena parar alguns segundos nesse número. Porque três estudos não significam que mulheres negras autistas não estavam lá. Significam que a ciência quase nunca olhou diretamente para elas. É um tipo particular de apagamento: mulheres foram marginalizadas dentro da pesquisa sobre autismo, e mulheres negras foram marginalizadas dentro da própria correção dessa marginalização.
Raça não pode ser acrescentada depois, como mais uma variável demográfica. Uma menina negra não é primeiro menina, depois negra e, por fim, autista: ela existe simultaneamente nessas posições.
Kimberlé Crenshaw formulou o conceito de interseccionalidade justamente para enfrentar os limites de análises que tratavam racismo e sexismo como sistemas separáveis. Depois dela, feministas negras ampliaram esse campo ao demonstrar, repetidas vezes, que “mulher” jamais foi uma categoria politicamente neutra.
Isso muda a pergunta que precisamos fazer. Não basta perguntar se meninas negras autistas também mascaram: é preciso perguntar se os comportamentos usados para reconhecer o *masking* foram definidos observando experiências racialmente diversas. Não basta perguntar se elas recebem diagnóstico mais tarde: é preciso perguntar quais interpretações vieram antes desse diagnóstico.
Comportamento não chega puro aos olhos de quem observa. Ele chega dentro de um corpo. E corpos negros já carregam significados sociais antes de pronunciar qualquer palavra.
A literatura sobre autismo em populações negras mostra desigualdades no reconhecimento, no acesso e na participação em pesquisas e serviços. Trabalhos voltados especificamente à intersecção entre gênero e raça negra alertam que esses dois vieses não podem ser compreendidos isoladamente.
Isso não permite afirmar que toda menina negra autista terá determinada experiência. A interseccionalidade não é um novo estereótipo. É exatamente a recusa deles.
E quando a mulher é amarela?
Aqui é preciso fazer algo que artigos acadêmicos nem sempre fazem bem: admitir o limite.
Existem estudos que incluem pessoas asiáticas autistas, evidências de diferenças raciais e étnicas em diagnóstico, saúde e acesso a serviços, pesquisas com adultos que encontraram diferenças entre pessoas autistas asiáticas, negras, hispânicas e brancas em determinados diagnósticos médicos e psiquiátricos. Isso importa. Mas não é a mesma coisa que ter um corpo sólido de literatura dedicado à experiência de mulheres amarelas autistas adultas.
Não dá para preencher essa lacuna com estereótipo. Não dá para escrever que mulheres asiáticas mascaram mais porque “culturas asiáticas são mais coletivistas”. Não dá para transformar silêncio, obediência ou desempenho acadêmico em característica racial. Não dá para tratar experiências japonesas, chinesas, coreanas, filipinas, vietnamitas, ou de qualquer outra origem, como intercambiáveis. E nem dá para importar automaticamente categorias raciais norte-americanas para o Brasil, como se “Asian” e “amarela” fossem conceitos historicamente idênticos.
Essa cautela não enfraquece o argumento. Ela é o argumento. Quando a literatura não permite dizer, melhor não dizer. Mas cabe perguntar por que ainda sabemos tão pouco.
A ausência de evidência não deve ser convertida em evidência de ausência. Mulheres amarelas autistas não passam a existir quando pesquisadores finalmente decidem estudá-las. Elas já estavam aqui. O vazio está na literatura, não nas mulheres.
O diagnóstico também é uma questão de acesso
Há outra figura que precisa desaparecer: a ideia de que o diagnóstico tardio é só consequência de um profissional que não reconheceu certos sinais.
Diagnóstico também exige chegar até o profissional. Exige informação, tempo, muitas vezes dinheiro, serviços disponíveis, a possibilidade de buscar uma segunda opinião quando a primeira resposta é insuficiente, a capacidade de reconstruir a própria história, às vezes familiares dispostos a ajudar na investigação da infância e, principalmente, acesso a profissionais capazes de reconhecer apresentações menos estereotipadas do autismo.
Classe atravessa essa história. Raça atravessa essa história. Território e escolaridade também atravessam essa história.
Por isso existe uma diferença importante entre mulheres autistas não diagnosticadas e mulheres autistas que conseguiram chegar a uma avaliação especializada na vida adulta. Se estudarmos apenas as segundas, corremos o risco de achar que conhecemos as primeiras. Não conhecemos. O próprio diagnóstico já seleciona quem consegue chegar até a pesquisa, e a pesquisa corre o risco de transformar as características de quem conseguiu chegar em características universais de quem existe.
## O feminismo também precisa perguntar quem deixou para trás
Há ainda uma crítica que não pode ser dirigida só à medicina. O feminismo também precisa olhar para seus próprios modelos de mulher emancipada.
Durante décadas, parte importante da luta feminista precisou demonstrar que mulheres eram capazes de estudar, trabalhar, produzir, liderar, ocupar o espaço público e conquistar independência econômica. Era uma batalha necessária contra uma ordem que justificava a exclusão feminina atribuindo às mulheres uma suposta incapacidade natural.
Mas existe uma pergunta que os estudos feministas da deficiência tornam inevitável: o que acontece quando precisamos provar que merecemos igualdade demonstrando que somos igualmente capazes de funcionar segundo as mesmas exigências?
Uma mulher autista pode precisar de suporte e continuar sendo autônoma. Pode não suportar determinado ambiente de trabalho. Pode precisar de silêncio, de ajuda para algumas tarefas, e ter enorme independência em outras. Pode não desejar certas formas de sociabilidade, não performar feminilidade, não construir a vida em torno de casamento, maternidade, carreira ou produtividade.
A emancipação não pode significar apenas o direito de participar da mesma máquina que antes nos excluía. Precisa significar também o direito de questionar a máquina. Caso contrário, construímos uma mulher “livre” que continua obrigada a ser funcional, produtiva, emocionalmente administrável, socialmente competente e permanentemente disponível. Só trocamos de prisão.
Depois do diagnóstico
Quando o diagnóstico chega aos trinta, quarenta ou cinquenta anos, ele encontra uma biografia, não uma folha em branco.
Existem amizades encerradas, empregos perdidos, relacionamentos incompreendidos, humilhações escolares, crises interpretadas como exagero, ambientes suportados até o limite. Talvez existam diagnósticos anteriores, talvez tratamentos, talvez nenhuma dessas coisas.
E então surge uma palavra capaz de reorganizar retrospectivamente uma quantidade enorme de memórias: autismo.
A palavra não explica tudo. Nenhum diagnóstico deveria ter esse poder. Mas ela pode transformar uma pergunta que acompanhou alguém por décadas, “por que eu não consigo ser como as outras pessoas?”, em outra bem diferente: “por que passei tantos anos acreditando que precisava ser?”
Existe alívio nessa mudança. Mas pode existir luto também. Não necessariamente luto por ser autista, e sim luto pelo tempo: pela menina que ninguém compreendeu, pela mulher que acreditou ser moralmente defeituosa quando só estava exausta, pelas escolhas feitas sem informações importantes sobre si mesma, pelo suporte que poderia ter existido. E pelo reconhecimento de que não há como voltar até aquela menina e colocar em suas mãos o vocabulário que ela só encontraria décadas depois.
Talvez nunca tenhamos sido invisíveis
Por isso, dizer que mulheres autistas foram “invisíveis” talvez seja generoso demais com quem estava olhando.
Muitas estavam perfeitamente visíveis. A professora viu a menina sozinha. A família viu as crises. As colegas perceberam que ela era diferente. Parceiros perceberam vulnerabilidades. Chefes perceberam dificuldades. Profissionais perceberam sofrimento. A sociedade percebeu o suficiente para produzir uma coleção inteira de adjetivos: difícil, fria, dramática, antissocial, arrogante, ingênua, mimada, sensível demais, estranha, mal-educada.
O que faltou nem sempre foi visibilidade. Faltou outra forma de interpretar aquilo que já estava diante dos olhos. E interpretação nunca é neutra: antes de receber um nome clínico, um comportamento já atravessou expectativas de gênero, raça, classe, idade e deficiência.
É por isso que a história do autismo feminino não pode terminar na constatação de que precisamos diagnosticar mais mulheres. Precisamos perguntar quais mulheres aprendemos a diagnosticar. Quem serviu de referência para os instrumentos. Quem entrou nas pesquisas e quem ficou de fora. Quem conseguiu pagar pela avaliação e quem encontrou um profissional capaz de reconhecê-la. Quem foi considerada tímida e quem foi considerada agressiva. Quem recebeu cuidado e quem recebeu punição. Quem pôde parecer vulnerável e quem precisou parecer forte. E quem continua ausente das perguntas que ainda fazemos.
Mulheres negras, amarelas e brancas não atravessam o mundo em corpos socialmente intercambiáveis. Reconhecer isso não divide as mulheres autistas: impede apenas que algumas sejam usadas para falar em nome de todas.
O diagnóstico tardio costuma ser contado como a história de uma ciência que demorou demais para enxergar. Mas há outra história dentro dela: a sociedade enxergou muito antes. Enxergou inadequação, exagero, frieza, estranheza, desobediência, incompetência. Viu meninas que precisavam aprender a se comportar e mulheres que precisavam se esforçar mais. Muito antes de alguém perguntar se aquela pessoa poderia experimentar o mundo de outra maneira, já existia uma sentença sobre o tipo de mulher que ela deveria conseguir ser.
Por isso a pergunta que fica não é só quantas mulheres autistas ainda não foram diagnosticadas. É mais difícil que isso: quando finalmente aprendemos a reconhecer uma mulher autista, quem ainda precisa ficar de fora para que essa imagem continue fazendo sentido?
Porque antes do diagnóstico veio o julgamento. E entender por que ele chegou primeiro obriga a falar não só sobre autismo, mas sobre as mulheres que a nossa sociedade reconhece, as que tolera, e as que só aceita depois que aprenderam a desaparecer um pouco.
Referências
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