cordel lolita 2 Menina do Sertão

No sertão ou na cidade,

Onde a vida faz seu curso,

Vou contar uma história

Com um triste sobressalto,

De uma linda garotinha

Que tombou sob um asfalto.

 

Na metrópole crescia

A menina de luz pura,

Gostava da sua escola,

Aprendia com doçura,

Tinha sonhos no olhar,

Alegria e travessura.

 

Brincava no verde parque

Com amigas a sorrir,

Pega-pega e amarelinha,

Sem cansar de se divertir,

Pura como a passarada

Ao amanhecer surgir.

 

Ao voltar pra sua casa,

Outra rotina amada,

Isto era o seu mister

Ao fim de cada jornada:

Cuidar de sua vovó,

Pela neta tão honrada.

 

Com carinho e paciência,

Dava água e medicação,

Cuidava da velhinha

Com amor no coração,

Trazendo para aquele lar

Sua bênção e proteção.

 

Mas o mundo traz espinhos,

Onde habita a crueldade,

E no meio do caminho

Pela grande cidade,

A sombra do perigo

Escondeu a caridade.

 

Ia ela para a escola

Caminhando descansada,

Quando veio um carro preto

Numa manobra apressada,

E pra dentro do veículo

A menina foi jogada.

 

Lá dentro o mal sem nome

Sua vida devorou,

Violentada e sem defesa,

Sua luz se apavorou,

E a mão da perversidade

Seu destino interrompeu.

 

Para ocultar o crime,

Sem ressentimento ou dor,

Atiraram a garota

Num rio de águas sem cor,

Achando que a correnteza

Apagava aquele horror.

 

Mas o choro de uma mãe

E a dor de um bom pai

Têm a força de um corisco

Que da nuvem negra cai:

Eles juraram justiça

Que do peito nunca sai.

 

Não sossegaram um segundo,

Procurando pista e rastro,

Investigaram a fundo

Sob a luz do mesmo astro,

Pois a dor daquela perda

Era um pesado mastro.

 

Encontraram os bandidos

Sem polícia e sem juiz,

E com as próprias mãos fizeram

A justiça mais raiz:

Fizeram pior com eles

Pelo mal que o mostro fez.

Antonio Sonsin

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