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O Cordel de Isabella: Dor, Memória e Esperança

I

Peço licença ao verso

Para uma história contar,

De uma dor muito profunda

Que fez o país chorar,

A vida de uma criança

Que o tempo não vai apagar.

 

II

Isabella era o seu nome,

Cinco anos de magia,

Um anjo cheio de graça,

De doçura e de alegria,

Que por onde ela passava

Transformava a noite em dia.

 

III

Era o mês de março lindo

No ano de dois mil e oito,

A menina foi feliz,

Sem pressa e sem afoito,

Passar uns dias com o pai,

Como um abraço afeito.

 

IV

O que era pra ser festa,

Carinho e proteção,

No apartamento em São Paulo

Virou profunda aflição,

Pois onde morava o afeto

Entrou a escuridão.

 

V

Naquela noite marcada

Por sombra, dor e ferida,

A doce e inocente flor

Foi covardemente agredida,

Dentro do próprio refúgio

Onde devia ser querida.

 

VI

Do sexto andar do prédio,

Pela janela atirada,

A vida de uma criança

Foi assim interrompida,

Deixando a nação inteira

Triste e estarrecida.

 

VII

A notícia correu rápido,

Chegou a todo canto,

O Brasil se ajoelhou

Em meio a um grande pranto,

Sem entender como a crueldade

Alcançou um ser tão santo.

 

VIII

O pai e a madrasta

Tentaram a cena alterar,

Inventando uma mentira

Para a culpa disfarçar,

Mas a força da perícia

Conseguiu a verdade achar.

 

IX

Alexandre e Anna Carolina,

Diante da acusação,

Mostraram que a falsa versão

Não tinha sustentação,

E a justiça do país

Deu a devida punição.

 

X

No ano de dois mil e dez

O julgamento ocorreu,

A condenação dos dois

Aos olhos do povo se deu,

Três qualificadoras graves

Que o tribunal acolheu.

 

XI

A mãe, no sofrimento,

Com a alma em pedaços,

Guardou para sempre a lembrança

Dos risos e dos abraços,

Seguindo a vida com dor

Pela falta daqueles passos.

 

XII

O país inteiro chorou

A perda dessa menina,

Pois a dor de uma mãe

É dor que a todos ensina

A proteger as crianças

Com força pura e divina.

 

XIII

Mostrou que no mundo de hoje

A crueldade ainda mora,

Mas o grito por justiça

É a luz que nos revigora,

Pra que nenhuma outra vida

Seja ceifada sem hora.

 

XIV

Hoje a pequena estrela

Informa o céu de esperança,

Pois o seu nome ficou

Na memória e na lembrança,

Como um símbolo de amor

E de defesa da infância.

 

XV

Que a história de Isabella

Sirva de alerta e lição,

Para guardar os pequenos

Com todo o nosso coração,

Longe de toda maldade,

Da dor e da escuridão.

 

XVI

Que no regaço do Pai

Ela viva em plena paz,

Onde a maldade dos homens

Não a alcance jamais,

Ficando na nossa terra

A saudade que não se esvai.

Antonio Sonsin

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