Proteção Digital: IA nas eleições 2026: informação também é proteção digital

A Inteligência Artificial já faz parte da nossa rotina. Ela pode ajudar a traduzir textos, ampliar a acessibilidade, produzir conteúdos e facilitar o acesso à informação. Mas a mesma tecnologia também pode ser utilizada para criar imagens, vídeos e áudios falsos com aparência muito próxima da realidade.

Nas eleições, essa possibilidade merece atenção especial.

Imagine receber no celular um vídeo de um candidato dizendo algo que parece absurdo. Você reconhece a voz, vê o rosto e pensa: “Eu vi com meus próprios olhos”. Mas será que viu mesmo?

Com as ferramentas atuais, é possível criar conteúdos que nunca aconteceram. São os chamados deepfakes, que podem reproduzir rostos, vozes e movimentos de pessoas reais. E, quando um conteúdo falso é compartilhado milhares de vezes, o desmentido pode chegar tarde demais.

O que mudou nas eleições de 2026?

Diante desses novos desafios, a Justiça Eleitoral estabeleceu regras específicas para o uso da Inteligência Artificial nas eleições de 2026.

Entre as medidas estão restrições à divulgação de determinados conteúdos manipulados por IA no período próximo à votação, a proibição de sistemas de IA recomendarem ou sugerirem candidatos aos eleitores e regras voltadas à proteção contra conteúdos falsos e violência digital, inclusive montagens de natureza sexual envolvendo candidatas.

Mas conhecer as regras não é suficiente.

Em uma eleição cada vez mais digital, o eleitor também precisa saber reconhecer sinais de manipulação e, principalmente, aprender a verificar uma informação antes de compartilhá-la.

Nem todo conteúdo feito por IA é falso

Esse é um ponto importante.

Um conteúdo produzido com Inteligência Artificial não é, por si só, uma informação falsa. A tecnologia pode ser utilizada de maneira legítima e positiva para facilitar a comunicação, traduzir conteúdos, ampliar a acessibilidade e tornar informações mais fáceis de compreender.

O problema está no uso da tecnologia para enganar.

Uma imagem pode ser criada artificialmente para parecer uma fotografia. Uma voz pode ser reproduzida para fazer uma pessoa dizer algo que nunca disse. Um vídeo pode ser manipulado para alterar o contexto de uma fala.

Por isso, não devemos acreditar ou desacreditar de um conteúdo apenas porque ele foi produzido com IA. Devemos verificar a informação que ele apresenta.

Antes de compartilhar, pare e verifique

Alguns sinais merecem atenção.

Desconfie de mensagens que provocam medo, raiva ou indignação imediata, que apresentam acusações graves sem fonte, pedem compartilhamento urgente ou dizem que determinada informação precisa ser espalhada “antes que seja apagada”.

Também é importante observar a origem e a data do conteúdo. Uma imagem verdadeira pode ser utilizada para contar uma história falsa. Uma notícia antiga pode voltar a circular como se tivesse acontecido naquele momento.

Por isso, antes de compartilhar, procure a mesma informação em veículos de imprensa confiáveis e em fontes oficiais.

Pergunte:

Quem publicou? Quando foi publicado? Qual é a fonte? Outros veículos confiáveis confirmaram?

Se não for possível responder, talvez seja melhor não compartilhar.

A proteção digital começa com uma atitude simples

Em tempos de Inteligência Artificial, proteger-se não significa desconfiar de tudo. Significa desenvolver o hábito de verificar antes de acreditar e compartilhar.

Uma informação falsa pode levar alguém a tomar uma decisão baseada em algo que nunca aconteceu. No contexto eleitoral, isso pode atingir não apenas uma pessoa, mas a própria qualidade do debate democrático.

Por isso, cada eleitor também tem um papel no combate à desinformação.

A responsabilidade não está apenas nas plataformas, nos candidatos ou na Justiça Eleitoral. Está também em cada um de nós quando decidimos o que acreditar, o que compartilhar e o que deixar de espalhar.

📚 Informação para proteger o seu voto

Pensando justamente nessa necessidade, a Comissão de Direito Digital da OAB Bragança Paulista preparou a Cartilha “IA nas Eleições 2026”.

O material foi elaborado em linguagem simples e objetiva, para que possa ser compreendido por pessoas de diferentes idades e níveis de conhecimento sobre tecnologia.

A cartilha explica, de forma prática:

  • o que mudou nas eleições de 2026;

  • o que é permitido e o que é proibido no uso da IA;

  • o que são deepfakes e conteúdos manipulados;

  • como identificar possíveis sinais de falsificação;

  • como verificar se uma informação é verdadeira;

  • quais cuidados devem ser tomados antes de compartilhar conteúdos;

  • e como a Inteligência Artificial também pode ser utilizada de maneira positiva.

A tecnologia pode mudar a forma como recebemos informação. Mas uma coisa não mudou: a importância de pensar antes de compartilhar.

📲 Acesse gratuitamente a Cartilha “IA nas Eleições 2026” e compartilhe informação, não desinformação:

https://drive.google.com/file/d/1E9sKS8AebO9SlL3BCzYa0NaMCvmVPW9I/view?usp=drive_link 

Antes de acreditar. Antes de compartilhar. Verifique.

Proteger a informação é também proteger o exercício consciente da cidadania.

Carolina Poletti

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