A GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA

A GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA

Vou contar um pouco sobre a Guerra do Paraguai.

O Paraguai é um país mediterrâneo, localizado na América do Sul, cuja capital é Assunção, limitado pela Argentina, pelo Brasil e pela Bolívia. Foi descoberto e colonizado pelos espanhóis até conquistar sua independência, em 14 de maio de 1811.

Quem assume o poder é José Gaspar Rodríguez de Francia, o “El Supremo”.

Francia praticamente fundou o Paraguai. Exerceu uma ditadura rigorosa e, ao assumir, tratou de eliminar a influência do poder econômico que pudesse ameaçar seu governo. Fechou as fronteiras, restringiu o comércio e as relações com o exterior e promoveu uma reforma agrária que permitiu ao simples camponês o acesso à terra.

Criou as chamadas “Estâncias da Pátria”, onde os trabalhadores rurais produziam com o auxílio do Estado e dispunham de parte da produção como homens livres. O trabalho comunitário fazia parte dessa organização.

Francia procurava organizar uma nação livre e demonstrar que era possível sobreviver sem a submissão a interesses estrangeiros. Sua política despertou a oposição de interesses externos, particularmente ingleses, que exerciam enorme influência econômica naquele período.

Sua preocupação com a educação também foi marcante. Ao final de seu governo, o Paraguai apresentava índices de alfabetização que impressionavam para a época.

Francia foi um dos primeiros estadistas americanos a associar o desenvolvimento nacional à independência política. Seu lema parecia resumir toda a sua prática: “Independência ou Morte.”

Seu grande erro, porém, teria sido não criar uma classe dirigente suficientemente interessada na riqueza nacional. Quem tentaria modificar essa situação, com relativo êxito, seria Carlos Antonio López, que assumiu o governo após a morte de Francia, em 1840.

Carlos Antonio López era advogado e havia permanecido no interior do país durante a ditadura de Francia. Com a morte do governante, retornou à capital e assumiu o poder.

Enquanto Brasil e Argentina forneciam matérias-primas a baixo custo para a Inglaterra, importando depois suas manufaturas, López procurava promover o desenvolvimento do Paraguai sem recorrer ao financiamento inglês.

Seu método era simples e ousado: trazer do exterior os técnicos necessários para implantar as bases do desenvolvimento industrial. Ao mesmo tempo, enviava para a Europa e para os Estados Unidos jovens paraguaios que se destacavam nos estudos, para que se especializassem em diferentes áreas.

Quando retornavam, esses jovens participavam da evolução tecnológica do país, criando indústrias, construindo estradas, aperfeiçoando estabelecimentos e lançando as bases do ensino superior.

Em 10 de setembro de 1862, Carlos Antonio López morreu, deixando um Paraguai que, segundo a interpretação histórica que orientava este trabalho, apresentava grande desenvolvimento para os padrões sul-americanos. O país possuía indústria de base, não carregava uma pesada dívida externa, investia na educação e contava com melhoramentos modernos, como telégrafo, ferrovias e linhas de navegação para a Europa.

Todo esse progresso seria, para mim, a sentença de morte do Paraguai.

Com a morte de Carlos Antonio López, assume o poder seu filho, Francisco Solano López, que procura dar continuidade ao projeto de seu pai.

Solano López teve uma vida intensa antes de assumir o governo. Foi general ainda muito jovem, aperfeiçoou seus estudos na Europa e destacou-se como diplomata nas questões que envolviam o Paraguai, o Brasil e a Argentina.

Antes de contar a maior tragédia americana e abordar a figura de Francisco Solano López, que considero um dos grandes líderes da resistência paraguaia, é necessário observar a situação dos países que seriam seus adversários: Brasil, Argentina e Uruguai.

Qual é a situação do Império do Brasil e da Confederação Argentina, durante o governo de Solano Lopez? Exatamente o oposto que se verifica no Paraguai. O império e a Argentina estão vivendo um período de crise econômica e política, com graves reflexos sociais. Não vou me demorar descrevendo a situação brasileira pois todos tem aprendido isso durante as aulas de história.

A crise da Argentina: O imperialismo inglês, infiltra-se em Buenos Aires subornando e oferecendo interesses à burguesia e políticos, usufruindo da ingenuidade intelectual de uma pequena elite deslumbrada com artifícios culturais ingleses e principalmente oferecendo meios de estabelecer a permanência de uma classe dominante à frente da nação. Buenos Aires torna-se “ponta de lança” da indústria inglesa: recebe manufaturas que distribui para as restantes províncias e traz para o seu posto os produtos do campo e a matéria prima para exportar para a Inglaterra.
Começam os empréstimos ingleses, criam-se leis para importação e exportação que arruínam pequenos artesãos, acabam por beneficiar a burguesia e seus patrões ingleses.

Imbecilidades e mentiras sem número já foram escritas para explicar as causas da Guerra do Paraguai. Alguns dizem que Solano Lopez “tinha a ideia de que somente por meio de uma guerra poderia o Paraguai tornar-se conhecido”. Outros afirmam que ele queria coroar-se “Imperador da América do Sul”. O que não foi dito é que além de realmente haver discussões sobre limites é a pressão que a Inglaterra fez diretamente contra o independente Paraguai, e a pressão sobre seus aliados para asfixiarem o país vizinho que incomodava e que estava se tornando um mau exemplo para o resto dos países dependentes do imperialismo inglês. O imperialismo inglês não queria mudança no mundo.
O Uruguai era uma respeitável “presa” para o imperialismo inglês. Mas, sempre a diplomacia apresenta a intervenção no Uruguai. Não se pode esquecer que desde a colônia com o patrocínio da Inglaterra, Portugal tinha pretensão anexionistas sobre o Paraguai e o Uruguai. Solano Lopez tinha um tratado de respeito mútuo com o Uruguai. A Inglaterra queria destituir do poder o atual governo aliado ao Paraguai e colocar um que desmontaria qualquer resquício de independência do Uruguai e o atrelaria à Tríplice Aliança. Consequentemente a aliança de Brasil, Argentina e Uruguai era para se atingir o Paraguai. O Brasil ajuda os oposicionistas uruguaios a subir ao poder e Solano Lopez tenta defender a integridade desse país.

Praticamente o Brasil agrediu o Uruguai depondo o seu governo e colocando um da estima dos ingleses. Venâncio Flores subiu ao poder imposto pelo império do Brasil e pela Argentina com a conivência da diplomacia internacional do Plata, liderada pelos interesses do imperialismo inglês. Foi o fecho vergonhoso de uma trama internacional liderada pela Inglaterra, para abrir caminho à destruição do Paraguai. Tudo está pronto para a guerra.

A assinatura do Tratado da Tríplice Aliança em 1º de Maio de 1865 é uma farsa. Um ano antes ele já estava pronto, esperando apenas que os representantes do imperialismo inglês assinassem, assim que chegasse a hora da guerra. A Bolívia, Equador, Colômbia, Peru e Chile, além dos Estados Unidos protestaram contra o pacto e seu conteúdo: o Tratado da Tríplice Aliança estipula detalhadamente a destruição do país, o saque ao Paraguai, o butim de Assunção e a partilha do país, além de estipular hipotéticas condições de paz, que implicitamente só eram possíveis com a destruição da nação, como se viu.

A guerra em si, é como todas as outras: bárbara. Quero apenas salientar que em todos os encontros, todos os combates havidos, mostram e sustentam de uma maneira incontestável que os soldados paraguaios são caracterizados de uma bravura, de um arrojo, de uma intrepidez e de uma valentia que raia a ferocidade sem exemplo na história do mundo. No 1º de março de 1870, depois de cercados em Cerro Corá, intimaram Solano Lopez a render-se. Ele se negou e exclamou “Muero con mi Pátria”. Jamais um homem entrou pela história com uma frase tão verdadeira.

Minhas pesquisas me levaram até Juan Bautista Albedi que me revelou Francisco Solano Lopez por inteiro:
“Solano López no tiene su igual ni en Bolívar, ni en San Martin, ni en los más bellos tipos de constancia indomable y grande que presenta la historia de América”.

Em tempo:
Remexendo em meus guardados, procurando não sei o quê, encontrei esta preciosidade que, pesquisei, escrevi e apresentei num seminário de história no Segundo Colegial (Ensino Médio) no Colégio Santa Cruz, na Praça Panamericana, em São Paulo, onde refiz meus estudos pois os mesmos do Paraguai, não eram reconhecidos por aqui.

Professor Pedro Troche Gonzalez

Pedro Troche González

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