(Nilton Bustamante, por desdobramento de alma)
Direto ao assunto: na noite passada, ao adormecer, fui levado pela Espiritualidade para um lugar muito difícil; poderíamos qualificá-lo como um “limbo”, conforme nos descrevem os Espíritos na literatura espírita.
Mostraram-me o que acontece quando um país, uma cidade ou uma localidade — seja qual for o agrupamento humano — se desestrutura moralmente. Pouco a pouco, desmoronam-se todas as suas estruturas fundamentais. Eis o quadro: a moradia não vem, a atividade econômica termina falindo, a educação é deixada para trás, a desordem social desagrega valores humanos, a vida perde o valor e o emprego torna-se apenas uma teoria longínqua… O caos é destruição, nada mais que isso — ou pior: é a falência do homem em todos os sentidos. Isso acontece na vida dos encarnados, na vida terrestre, bem como na vida espiritual.
— Vimos, pelos noticiários, por causa da corrupção, o desalento em que vivem muitos agrupamentos sociais, muitos povos em diversas cidades e países. A corrupção acontece por causa da baixa moral por que nos deixamos levar: desvios de conduta, sucumbimento a costumes seculares, atrasados e egoístas… —
Pois bem, espiritualmente, por onde eu andava juntamente com alguns irmãos da Espiritualidade (eu não os via, mas os sentia e ouvia mentalmente), era um lugar feio, muito feio, depredado ao extremo.
Notava-se que, no passado, fora uma pequena cidade formada por uma grande empresa que faliu; os prédios, casas e edificações agora eram apenas um grande esqueleto, com seus “ossos” caídos por todos os lados… Tijolos largados, portas saqueadas, janelas levadas por mãos desventuradas; uma grande e famigerada hecatombe humana. E as pessoas foram se apresentando pelo caminho. Parecia um gueto, reminiscência de sobreviventes. Eu as olhava atentamente e, aos poucos, elas se mostravam. A aparência não era nada confiável; honestamente, causavam-me receio. Andavam de maneira sinistra, esgueiravam-se pelos cantos até que, confiantes, tomavam conta das ruas, das vielas, de todos os espaços possíveis.
Via que, quando alguém passava mais desatento, grupos rodeavam o incauto e exigiam qualquer coisa de valor para dar passagem…
Tentei passar despercebido, em vão. Postaram-se à minha frente tentando me inibir. Para espanto meu, verifiquei que eram todos meninos, crianças, já com atitudes de quem está à margem da lei. Eram comandados, à distância, por adultos. E, naquele lugar, lei? Que lei? Eles eram rudes, tentavam me impedir, sobrepunham-se com agressividade. Os Espíritos intuíram-me para que eu me acalmasse e buscasse me “aproximar” deles, lançando sinais de paz e confiança. Com certo esforço e várias tentativas, percebi que foram alterando seus humores e atitudes. Tornaram-se mais calmos. E um deles, o que antes era o mais destemido e agressivo, abriu-se em diálogo mental.
Perguntei-lhe o que estava sentindo e onde morava.
Respondeu-me de maneira tal, tão sentida e deprimida, que meu coração estremeceu pelo impacto da vibração de sua fala mental: “Eu moro no chão”. Pensei: o que pode alguém sentir vivendo no chão?
Esse menino começou a mostrar-me os arredores, o que era isso e aquilo antes de desmoronarem em escombros sem fim. Outras crianças vieram e acompanharam a caminhada. Pouco a pouco, percebi as ações da Espiritualidade envolvendo todos nós. A cada momento, ficava mais nítida a leveza vibratória daquele lugar.
Esses irmãos da Espiritualidade passaram a “conversar” com todos aqueles seres; recolheram em agrupamento os incontáveis irmãozinhos, ainda psicologicamente infantis, e informaram que tudo ali, daquele momento em diante, iria mudar. A mudança começaria com a formação de um grupo de escoteiros, para o qual todos foram convidados a participar. Foi uma grande agitação e alegria. Os irmãos da Espiritualidade concentraram-se para oferecer um nome ao novo grupo. E, bem à minha frente, ao alto, vi plasmar-se o nome: Grupo de Escoteiros ____ (sim, foi assim mesmo, sublinharam o vazio para que o nome surgisse; e materializou-se sobre a lacuna a palavra… REDENÇÃO).
Assim que plasmaram o nome REDENÇÃO, voltei ao meu corpo físico mais rápido que um relâmpago. Havia uma satisfação em meu peito por saber, intimamente, que houve auxílio onde fora necessário. Aquelas crianças teriam instrução e formação educacional de escotismo (a busca da fraternidade, trabalho, respeito e disciplina).
Ficou-me a lição de que, também na vida espiritual, reflete-se o que se passa com os homens na vida material; e o contrário também é verdadeiro. Ninguém, seja qual for a dimensão em que estagie em seus aprendizados, ficará esquecido por Deus.


