Nem todo recomeço acontece quando alguém vai embora.
Às vezes, ele acontece quando decidimos parar de esperar que alguém volte.
E isso também dói.
Dói porque a ausência já existia…
Mas ainda havia esperança ocupando espaço.
Uma espera silenciosa, quase invisível, mas constante.
Nós ficamos ali.
Esperando uma mudança, um gesto, uma escolha.
Esperando que, em algum momento, o sentimento encontrasse caminho de volta.
E, por muito tempo, acreditamos.
Acreditamos no amor que foi dito.
No amor que nos foi repetido tantas vezes, embalado em promessas.
Acreditamos que a ida era só um tempo, uma pausa…
Como se fosse apenas uma forma de decidir se queria mesmo estar ao nosso lado.
E foi isso que nos segurou.
Mas o tempo… ahh ele sempre mostra.
Mostra no que não é dito.
No que não é feito.
Na atitude consciente que machuca.
Na forma como o outro escolhe — ou deixa de escolher.
E, aos poucos, aquele que um dia foi presença vai se tornando alguém estranho.
Um desconhecido.
Alguém que já dividiu a vida com a gente… mas que hoje não reconhecemos mais na forma de agir, de sentir, de permanecer.
E é nesse ponto que algo muda dentro de nós.
Porque entendemos, ainda que doa, que talvez o amor dele nunca tenha sido o amor na intensidade que sentimos, nem na dimensão que acreditávamos cada vez que um “eu te amo” era dito por ele.
E chega uma hora em que entendemos:
Não é sobre falta de oportunidade… é sobre falta de vontade.
É nesse lugar que a gente se encontra.
E, com uma dor mais serena, daquelas que já cansaram de insistir, tomamos uma decisão silenciosa:
Paramos de Esperar.
Não porque deixamos de sentir.
Mas porque começamos a nos respeitar.
Porque continuar esperando também é uma forma de se prender.
De adiar a própria vida por algo que não depende mais da gente.
E nós merecemos mais.
Merecemos presença.
Merecemos reciprocidade.
Merecemos alguém que não precise ser convencido a ficar.
Então, em algum momento, talvez ontem, soltamos o que ainda nem tinha voltado.
Soltamos a ideia, a expectativa, o “e se”.
E, pela primeira vez, sentimos um tipo de paz diferente… a paz de quem para de lutar sozinha.
Recomeçar, às vezes, não é mudar de caminho.
É apenas não olhar para trás — e descobrir que isso também é uma forma de superação.. uma forma de amor próprio.
Por Patricia Iara


