Foi dada a largada…

Foi dada a largada…

Ao menos parece ser essa a sensação – de que foi dada a largada – considerando o início, de fato, do período eleitoral do Pleito deste ano de 2026. Até primeiro de outubro, está liberado que candidatas e candidatos façam suas propagandas e anunciem suas propostas de trabalho.

E é justamente sobre isso que precisamos nos atentar: quais são as promessas anunciadas, ou o que, efetivamente, as pessoas que almejam ocupar um cargo político dizem que vão fazer.

Nas eleições de outubro deste ano, iremos escolher nossos representantes para deputado federal; deputado estadual (ou distrital, no caso do Distrito Federal); senadores; governador e vice-governador; e para presidente e vice-presidente da República.

Ainda que tenhamos desafios que demandem aperfeiçoar e fortalecer nosso sistema democrático, a democracia é o sistema mais justo, igualitário e participativo na gestão de um país, que permite, entre outros, que todas as pessoas manifestem como deseja que o país seja gerido!

Por isso, se atentar ao que dizem e o que defendem àqueles que iremos depositar nossa confiança – na forma de voto – é parte desse processo, materializando nosso compromisso e responsabilidade com o país e os rumos que ele seguirá.

Temos pautas urgentes que são – ou deveriam ser – do interesse de todos. A título de exemplo, poderíamos citar a questão ambiental, que requer contar com candidatas e candidatos comprometidos com ela para que possamos, a tempo, lidar com a crise ambiental em curso. Não é uma afirmação apocalíptica, mas sim real, enfatizar que se não adotarmos medidas sérias imediatamente, podemos não ter mais tempo para tentar fazer algo, a não ser remediar os impactos dramáticos e devastadores que virão.

Criar leis – que podem orientar e regular a questão ambiental, por exemplo – é atribuição dos parlamentares, composto por deputados federais e senadores. Eles compõem o Congresso Nacional que devem tratar de assuntos que interessam e impactam todo país. Já em âmbito estadual, os deputados estaduais também criam leis – e podem inclusive elevar a questão ambiental para o centro do debate e defesa também – com a promulgação de leis e ações para o estado ao qual pertence.  

Ocupar esses espaços não é brincadeira nem lugar de lacração, onde se grava vídeos engraçadinhos para postar em redes sociais; tampouco ambiente para pessoas descomprometidas com a coletividade ou comprometida com pautas que interessam só a si e ao seu grupo.

A escolha de deputados federais, estaduais e senadores é tão importante quanto a de governadores e presidente. Se não tivermos um parlamento, seja o Congresso Nacional ou as Assembleias Legislativas dos Estados, compostos por pessoas que defendam pautas de interesse comum, comprometidas com o desenvolvimento do país – o que compreende o investimento em políticas públicas, infraestrutura, sustentabilidade, avanço tecnológico, bem-estar da população, entre outros – estaremos fadados a um “eterno” subdesenvolvimento…

Vamos dar um basta em candidaturas de oportunistas, influenciadores, subcelebridades, defensores da família e pregadores de pautas abstratas, morais ou conservadoras. Família não precisa de defesa, precisa de condições dignas de trabalho, serviços públicos que funcionem e acesso às condições necessárias de subsistência para todos os seus membros.  

Chega de dar palco para alardes imaginários que propagam que a urna eletrônica é hackeada, até porque ela só parece apresentar defeito quando convém…  

Foi dada a largada e ainda temos tempo de acompanhar as candidaturas lançadas e decidir o que queremos para o país.

Fazendo um paralelo com a famosa frase do livro “O pequeno príncipe”, de Saint-Exupéry, quando diz: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, somos (eternamente) responsáveis pelo que, nesse caso, elegeremos.

Gisele A. Bovolenta é assistente social e professora na Universidade Federal de São Paulo.

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