Entre o ontem e o hoje

23h59

Falta pouco para a virada de mais um ano.
A vida não findará daqui a pouco e nem começará do zero amanhã.
Nosso Eu não muda, é o que é, mas sempre pode ganhar contornos mais ou menos potentes.
Nossos pensamentos se redirecionam, nossa vontade fica mais afiada, os instintos mais apurados, os passos mais assertivos, a sensibilidade mais aflorada. Mas nada termina, nada acaba em definitivo com a mudança de um ano para o outro. Ilusão, é acreditar que sim.
A mudança não reside na cronologia do tempo, mas na esperança do melhor e na atitude bem reposicionada.
Gratidão por tudo o que foi até aqui, é o que eu sinto e por quem fui até aqui, é o que levarei comigo.

 

00h20

Vinte minutos após a virada, eu continuo escrevendo na vida, e também este texto…
A vida definitivamente não começou neste primeiro dia do ano.
O livro não terminou de ser escrito, mas podemos reescrevê-lo, podemos virar a página, mesmo quando tudo ainda não tenha deixado de ser.
O que foi, foi. O que virá, não sabemos. Mas detemos as possibilidades em esperança!
O hoje já acontece. O presente já é nosso e isso é uma coisa maravilhosa!
Gratidão pelo novo! Pelo que posso dar continuidade, mesmo que de maneira diferente, ainda melhor.
Gratidão por tudo o que farei de inédito.
Já sinto todas as novas possibilidades!
Agradeço pelo novo Eu em que vou mergulhar, dar novos voos daqui para frente.
Gratidão pelas raízes que ajudam a contar minha história e pelos laços que fidelizam um pouco mais de quem sou, em quem me transformo diariamente e que apontam todos os caminhos que percorri…
O que descobri de precioso é que não devo focar tanto na procura para não me perder daquilo que verdadeiramente encontro.
Enquanto muitos se dividem na absoluta certeza do palco, caminho entre as tantas interrogações da plateia.
E isto causa-me ainda mais sede de viver.
Na linha da vida, gosto de ser sempre eu mesma, mesmo se tiver que remar contra as marés.
Ouvir é a minha melhor busca. Ouvir me reconstrói, repõe-me as energias.
E quando digo, mesmo quando muito tenho a dizer, há, na essência de minhas palavras, um valor quase indizível, que cabe sempre ao outro estar ou não disponível para ver para além de apenas enxergar.
E sob minha responsabilidade, está em definitivo o que quero ser, independente das memórias, experiências, vontades e desejos percorridos pelos caminhos que foram por mim traçados.
O passado não deixa de existir; ele se alimenta de novas sedes e novas fomes, e então fica sábio, ou saudoso, ou pendente nas interrogações, mas não morre, não vira pó de coisa alguma.

Um rio!
Gosto de pensar na vida como um rio que se movimenta e também dá movimento.
O melhor de tudo que flui, no final, são os encontros, os laços que intensamente transcendem a pobre matéria por matéria.
No final e no princípio de tudo, a vida é mesmo analógica, não importa quão tecnológico seja nosso dia a dia.
Nossos Eus, que antes desconheciam tanto do caminho, hoje são mais fortes que antes, mais sensíveis, mas também mais humanos.
Porque humanidade é ter conosco as alegrias e as tristezas. Os ganhos e as perdas.
As decepções sempre farão parte, independentemente de quem for, do quanto for e do quanto se doar em honestidade, lealdade, bondade e amor.
E isso não diminui nem um milésimo do valor em ter sido você mesmo.
Não enfraquece o valor da sua honestidade consigo mesmo. Por isso, não se arrependa dos riscos que o movimento nos impõe, nos lança como convite.
Também não se arrependa do melhor que foi doado, apenas redirecione sua dedicação para quem também se dedica. Simples assim. Sem metáfora, sem analogia, sem hipérbole.
Supere o que tiver que superar, no seu tempo…
Não revele essa superação ao mundo com ironia, soberba.
Quem precisa se esforçar para mostrar superação é porque não superou nada.
Quem, em verdade supera, apenas continua, segue adiante, e o resultado desses passos, naturalmente aparece sem maiores preocupações.
Apenas é o que é. E isto é a genuína beleza de sustentar nossa verdade.
Ser de verdade é viver uma verdade que não seja hipócrita, porque no final, tudo passa, todos passam, mas você fica.
Somente você se tornará responsável por sua forma de caminhar.
Então, caminhe com propósito!
A vida é mais do que produção em alta escala; é maturação do quem somos, com o que temos, de onde viemos e para onde queremos ir.
O meio do caminho importa mais que a linha de chegada, porque neste meio do caminho, muitas vezes já “chegamos” a muitos lugares.
Basta que estejamos munidos de boa vontade, coração e disponibilidade genuína.
Neste novo tempo, continue mudando, continue sendo, faça coisas novas, revisite as coisas velhas que tanto lhe ensinaram.
Entre o ontem, 31 de dezembro de 2025, e o hoje, 01 de janeiro de 2026, passou-se apenas um dia.
Cada dia é uma página das tantas e tantas linhas de nossas histórias.

 

Por Amanda da Silveira Lopes

Instagram @faroldaspalavras

Amanda da Silveira Lopes

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