Cristo del Rio
“Cristo del Rio del Corcovado de tu Brasil precioso estoy enamorado”.
Assim rezava a letra de um Bolero, interpretado por um trio mexicano (que eu ouvia na adolescência): Trio Los Panchos.
Associado este Bolero com um cartão postal recebido de um familiar em viagem à “Cidade Maravilhosa”, onde se podia admirar a escultura de um Cristo, de braços abertos, tendo a seus pés a cidade iluminada, a baía de águas azuis, infestada de minúsculos pontos em tons pastéis, a navegar estáticos com suas velas desfraldadas e, algumas montanhas, como pano de fundo, despertou no adolescente sonhador o desejo de conhecer de perto essa “maravilha de cenário”.
Efetivamente, após vários dias de viagem e inúmeras peripécias, desembarquei no Rio de Janeiro num fim de janeiro.
Maracanã, café, Copacabana, feijoada e ensaios de carnaval. Após devidamente catalogados, fui conhecer, in loco, o que de fato me trouxera aqui: O “Cristo del Rio del Corcovado”.
A bordo de um “fusquinha” aventureiro. O ronco estridente do motor, como a reclamar a subida íngreme ou por estar em oração de agradecimento pela oportunidade, um par de olhinhos vivaces e curiosos, catalogava tudo à sua volta: o bosque denso em que se adivinhavam o canto de pássaros canoros, de plumagem multicor, o perfume da terra molhada pela chuva recente, o saltitar da microfauna de todos os formatos.
Agora o valente “fusquinha” balançava ao sabor do forte vento que Éolo soprava por pura diversão.
Escadarias, aos pés do Cristo, um café cheiroso…
I s o l a m e n t o
…e a oração de agradecimento…
por ter vivido este delicioso momento…
para poder contar-lhes!!!
O ano: 1966!!!
Pedro Troche Gonzalez


