Espanha,
Terra adorada, terra de amores!
Meu sobrenome é capa, é bandeira, é Bustamante,
Mas de nada me vale,
Espanha,
Pois, por sorte, tenho as mouras noites em teus céus para me acompanhar.
Espanha, em minhas viagens loucas
Sou peregrino de mim mesmo; pensamentos ciganos que vão livres
E voltam como perdidos sonhos de amor…
Um beijo, ah, um beijo, Espanha, longo e suspirado beijo…
Um beijo com a força de fechar os olhos,
Abrindo lábios e pernas,
Mãos nos espaços tentando agarrar onde nada há para se salvar…
Ah, Espanha,
Soltando a alma toda,
Um beijo, ah, um beijo, longo e suspirado beijo…
Um tanto de respiração boca a boca, salvação,
Um tanto de morder, escorregar, entregar…
Mais um desejo, ah, mais um beijo, um molhado e desejado beijo,
Sem tocar parte alguma do corpo
A não ser os lábios, em delicado resvalar.
Ah, um beijo, somente um beijo, nada mais que um beijo deva ser:
Um voo mais leve que o próprio ar.
Um beijo, nada mais que um beijo,
Fechar meus olhos e te encontrar
Toda alma, toda nua…
Ah, Espanha, como te amo por inteiro,
Que nem versos, nem o timbre da guitarra,
Nem mesmo, outra vez, a rosa vermelha entre os dentes,
Conseguem explicar.
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Ana Vidovic plays Asturias by Isaac Albéniz


