Chega uma fase da vida em que percebemos que nem tudo terá explicação.
Nem todo amor terá um final compreensível.
Nem toda despedida virá acompanhada de uma justificativa.
Nem todos os sonhos seguirão o caminho que imaginamos.
E talvez uma das maiores dores da maturidade seja justamente essa: aceitar que algumas perguntas permanecerão sem resposta.
Quando somos mais jovens, acreditamos que a vida funciona como uma equação. Fazemos tudo certo e esperamos que o resultado também seja certo. Amamos alguém e acreditamos que isso será suficiente. Nos dedicamos, nos esforçamos, insistimos e imaginamos que o universo nos devolverá exatamente aquilo que desejamos.
Mas a vida não funciona assim.
Existem perdas que não entendemos.
Existem silêncios que nunca serão explicados.
Existem pessoas que entram em nossa história para ensinar algo e não para permanecer.
E por mais difícil que seja admitir, às vezes precisamos aprender a viver sem a resposta que tanto procuramos.
A maturidade não chega quando descobrimos tudo.
Ela chega quando entendemos que não precisamos descobrir tudo para continuar vivendo.
Existe coragem em seguir em frente mesmo sem saber.
Coragem em abrir mão de uma explicação.
Coragem em aceitar que algumas páginas terminam sem um ponto final perfeito.
Porque a paz não nasce quando todas as dúvidas desaparecem.
Ela nasce quando paramos de entregar nossa felicidade às respostas que talvez nunca venham.
E então algo bonito acontece.
A vida volta a caminhar.
O coração encontra novos caminhos.
Os dias ficam mais leves.
Os sorrisos voltam sem que percebamos.
E aquilo que um dia parecia impossível de suportar se transforma apenas em uma lembrança de quem fomos.
Talvez crescer seja exatamente isso.
Aprender que a felicidade não está em entender tudo.
Mas em continuar vivendo, mesmo quando não entendemos.
Por Patricia Iara


