Ó, pergaminhos, o que tendes aí?
Serão notícias de El Rey?
Será que minhas terras serão sempre distância?
Ó, que dizes, pergaminhos que se enrolam
e se guardam e não me mostram,
e fico sem saber…
Ó, pergaminhos das sombras das árvores,
mostrai-me as notícias que não sei.
Ó, dizei-me das flores silenciosas
que coroam a cabeça da mulher
que se enfeita,
e que se transformou em mata,
em perfumes,
frescores e esconderijos
com serenatas de insetos e bichos.
Ó, olhares-pergaminhos
que só sei o que dizem aos suspiros,
aos descontroles, abrindo a terra, clamando aos vulcões as suas erupções de líquidos e gemidos.
Ó, que mais de silêncio quereis me dizer desta mulher
que pinta todo o corpo de verdes terras,
preparando-se para a selvageria dos cios
com a fome de mulher
que espera dos encantos a magia
dos encontros brutais e gentis?
Ó, pergaminhos,
que vossas mensagens sejam-me a entrega da alma enfeitada de corpo, com cheiro de entranhas
e alguma fiel poesia para se dizer
ao anoitecer,
quando as estrelas visitam os casais em suas cenas de amor.
Que sejamos nós
quem leva no bico o gosto do beijo que faz fechar os olhos só ao se lembrar,
só ao se saber que a espera é suave, e a entrega é desfalecimento, é mel.


