Todo (bom) professor sabe: diariamente, aprendemos muito com os nossos alunos. E, após quinze anos de magistério no Japão, posso afirmar que o meu conhecimento sobre o país tem bebido bastante dessa inesgotável fonte que é a comunicação em sala de aula. Principalmente quando bato um papo com a juventude.
Esclareço: sou professor de Inglês. E, na escola onde trabalho, ensinamos o idioma de Shakespeare para todas as idades – tenho desde alunos muito pequenos, de apenas três anos de idade, até octogenários. Pois nossa proposta é muito simples: a conversação vem antes da gramática – as escolas tradicionais na Terra do Sol Nascente costumam fazer o contrário; o que explica em muito a dificuldade de comunicação enfrentada pelos japoneses quando tentam expressar-se verbalmente em outro idioma.
Mas prosseguindo… Como mencionei, tenho alunos de todas as idades. E, dentre estes, há um número considerável de adolescentes. E é com eles, obviamente, que descubro o que está em moda na Cultura Pop Japonesa.
Por exemplo, descobri que a moda agora é um ritmo chamado “Naruto dansu” – a “Dança de Naruto” –, que mistura movimentos dos personagens de anime a outros criados pelos “influenciadores” (ou “aproveitadores”, como queiram) que pipocam nos TikToks e Instagrams da vida. Aí eu, dinossauro que sou, indago-lhes se isso também existe no Facebook… E então eles começam a rir, indagando de volta: Facebook, professor, que diabo é isso? É quando eu, desistindo, resolvo entrar no ritmo e a fazer com eles a tal “Dança Naruto”. E não é que o velhinho aqui ainda sabe remexer! Pois é…
Além das danças, claro, há ainda as modas oriundas dos jogos eletrônicos – um vício mundial, aliás. E, em meio a muitas expressões e gírias que surgem nesse louco mundo virtual, temos o famoso “six-seven”. Outro dia, vi um professor revoltado num vídeo dizendo que essa repetição exagerada da expressão é reflexo de uma geração vazia. Não acho. Para mim, é apenas mais uma forma de comunicação entre os jovens – e, diga-se de passagem, todas as gerações possuem algum tipo de “bobagem” inevitavelmente recriminada pelos mais velhos. Isso é cíclico, infelizmente.
Para mim, como professor de Inglês, o tal do “six-seven” até me ajuda na hora da lição. Pelo menos, assim, a garotada confirma que aprendeu a falar dois números… O que já é um progresso.
Sim, levo na esportiva. Pois, no fim das contas, acho que tudo é uma questão de manter o bom humor. Para não envelhecer a alma… e com isso desaprender a sorrir.
É isso. No mais… SIX-SEVEN!!!
***
EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residindo no Japão desde 2001. Autor de dez livros e premiado em mais de quinhentos concursos literários, é também roteirista de cinema. Em 2026, lançou o livro “Robôs e Outras Crônicas Nipônicas” no Festival do Japão, em São Paulo. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).