Brasil! Mostra tua cara, quero ver quem paga prá gente ficar assim…
Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim
(Cazuza)
Pois é Brasil…
Trouxemos o hexa de seis copas sem vencer, e nem compreender bem o que aconteceu; nos acomodamos às farsas que nos impingem: “somos o único penta”, “a pátria de chuteiras”, “duzentos milhões e tralalá em ação”. A realidade bate à nossa porta a cada 4 anos, e o futebol é paixão-emoção onde cabem tanto vitórias como derrotas. E voltamos à realidade…
Deus vai te ajudar…
Mentira, somos nós que ajudamos a nós mesmos, ao entender nossos limites e potencialidades, ao colocar energia realizadora em nossos sonhos, homéricas batalhas para sair da mesmice e promover nossa suposta felicidade. Somos nós os deuses de nossa própria evolução.
Trabalho enobrece…
O trabalho cansa, te esgota, te sufoca; a bíblica obrigação de ganhar o pão com o suor do teu rosto não é da natureza, é a fala dominante de quem te quer na coleira da existência impossível, porque a raiva e a fome são coisas do homem…(gratidão Aldir!)
Família é tudo…
Crenças espiritualistas à parte, não escolhemos a nossa família, o espaço onde esperamos receber acolhida, afeto, amor, os primeiros ensinamentos sobre paz, justiça, retidão, colaboração, relacionamento. Tardiamente percebemos que o corte do cordão umbilical precisa ser feito com gratidão, consciência e perdão do que talvez nunca possa ser perdoado.
O céu é o limite…
A perspectiva de riqueza, fama e poder nos coloca num torpor frenético onde perdemos muitas vezes nossa identidade, sanidade e humanidade, perseguindo modelos que nos afastam da busca pelo real sentido da vida, e dos legados que podemos construir entre as angústias da finitude terrena e da transcendência.
Homem não chora…
Chora de dor, de raiva, chora por amor, lágrimas proibidas por um sistema que sobrecarrega de símbolos falsos nosso frágil hard disk. Na crença que somos fortes espiamos e escondemos todas nossas fraquezas, nossa possibilidade de crescimento, de acolher o menino assustado por estar nesse palco, aos olhos da plateia julgadora e improvisando ao interpretar um papel impossível.
Ser mãe é viver no paraíso…
O paraíso de receber menos que entrega, de performar a heroína, a mulher fiel, a piedosa, a cozinheira, diarista de uma vida inteira, herdeira do pecado original que negou a todas as mulheres o direito ao prazer, a pesada cangalha moral, vergonha da nossa suposta civilização…
Todos somos iguais perante a lei…
Sim, mas precisa ver antes o bairro onde vivemos, a cor de nossa pele, nossa opção de gênero, nossa rede de contatos, o lugar onde nascemos, quanto temos no bolso, como vestimos, no deus que acreditamos, e como ousamos exercer as liberdades, essas falácias da democracia que acreditamos existir e defender…
A verdade vou libertará…
Talvez, mas por enquanto nos doem as algemas da moralidade social – viver os papeis coadjuvantes que nos cabe na divina comédia humana, que representamos nas igrejas, escolas, na família, na política, no banco, no trabalho, zonas de falso conforto onde temos só temos o ópio da esperança de uma “vida melhor”. Crescer é desvelar, desmascarar nossos personagens, questionar nossas crenças limitadoras, sair do bastidor e sambar na rua sem os sapatos que tanto apertam nossos pés cansados.
A verdade é como o remo viking que bateu na nossa cabeça… aquela marca de identidade e alegria popular – explosão de orgulho e pertencimento, que liga o passado e o presente… simples assim. Viver a verdade é sair do silêncio, é participar, gritar “row”, e de repente perceber quem somos!


