
BETs: o lucro de poucos, a miséria de milhões
As casas de apostas deixaram de ser entretenimento para se transformar em um dos maiores mecanismos de transferência de renda dos pobres para grandes empresas.
A cada intervalo de jogo, a cada transmissão esportiva, a cada rede social, somos bombardeados por uma avalanche de propaganda que vende uma ilusão: a de que enriquecer é apenas uma questão de sorte.
Não é sorte. É um negócio construído para que a maioria perca e uma minoria lucre.
Enquanto famílias se endividam, contas deixam de ser pagas e relacionamentos são destruídos pelo vício em jogos, artistas, jogadores de futebol, influenciadores e apresentadores recebem milhões para convencer a população de que apostar é diversão.
Não é diversão quando falta comida na mesa. Não é lazer quando o salário desaparece em poucos minutos.
O mais revoltante é ver essa exploração sendo tratada com normalidade. As emissoras de televisão, que entram diariamente na casa dos brasileiros, transformaram a propaganda das BETs em parte do espetáculo esportivo.
O futebol, que deveria emocionar pelo esporte, tornou-se um gigantesco balcão de apostas.
Até quando aceitaremos que a esperança de um povo empobrecido seja transformada em mercadoria?
É urgente discutir limites severos para essa publicidade. Assim como o Estado restringiu a propaganda de cigarros para proteger a saúde pública, precisa enfrentar com coragem a epidemia do vício em apostas.
Não se trata de proibir o entretenimento, mas de impedir que a miséria humana continue sendo explorada como fonte de lucro.
Chega de propaganda enganosa. Chega de glamourizar o vício. Chega de enriquecer às custas do desespero de quem já luta para sobreviver.
Uma sociedade que lucra com a ruína financeira do seu próprio povo perdeu o sentido da ética e da responsabilidade.
Mário Doro


