Biografia LIANA EPPINGHAUS BARBALHO SILVA TELES

LIANA EPPINGHAUS BARBALHO SILVA TELES

Nascida em Marília, interior de São Paulo, em 10 de janeiro de 1948, Liana Eppinghaus Barbalho Silva Teles construiu uma trajetória marcada pela educação, pela cultura, pela literatura e pelo humanismo. Sua história atravessa momentos importantes da vida brasileira e revela uma intelectual comprometida com o conhecimento, a memória e a formação humana.

Permaneceu em Marília até 1965, quando sua família mudou-se para a capital paulista, em um período marcado pelas transformações políticas decorrentes do golpe militar de 1964. Logo ao chegar a São Paulo, recebeu uma bolsa de estudos do American Field Service (AFS), após aprovação em rigoroso processo seletivo. Aos 16 anos, viveu durante um ano nos Estados Unidos, hospedada por uma família em um subúrbio de Nova York, onde cursou o equivalente ao terceiro ano do colegial.

A experiência internacional ampliou seus horizontes culturais e intelectuais. Durante sua permanência nos Estados Unidos, escreveu semanalmente para o jornal Correio de Marília, compartilhando suas impressões sobre a vida norte-americana na coluna intitulada “Cartas de uma bolsista nos Estados Unidos”.

De volta ao Brasil, ingressou na Universidade de São Paulo (USP), na tradicional Faculdade de Filosofia da Rua Maria Antônia. Ali teve contato com alguns dos mais renomados professores do país e vivenciou um dos períodos mais intensos da história estudantil brasileira. Em 1968, presenciou os acontecimentos que ficaram conhecidos como a Batalha da Maria Antônia, confronto entre estudantes da USP e do Mackenzie, episódio posteriormente relatado em seu livro “Memórias de uma aluna de Filosofia – da Maria Antônia à Cidade Universitária”.

Com o fechamento da faculdade durante a ditadura militar, iniciou o curso de Direito em São Bernardo do Campo, frequentando as aulas no período noturno. Após cursar três anos, retornou à Filosofia quando a faculdade foi reaberta na Cidade Universitária, concluindo sua formação acadêmica.

Em razão da retirada da disciplina de Filosofia do currículo do ensino secundário, passou a lecionar inglês no CEL-LAP (Centro de Estudos de Línguas e Pesquisa), vinculado ao Liceu Eduardo Prado.

Casou-se em 1971 e teve três filhos, dedicando-se intensamente à vida familiar. Em 1981, seu marido foi convidado para integrar o corpo docente da Faculdade de Medicina da Universidade São Francisco, motivando a mudança da família para Bragança Paulista. A cidade os acolheu calorosamente e tornou-se seu lar definitivo.

Em Bragança Paulista, Liana também integrou o quadro docente da Universidade São Francisco, ministrando disciplinas como Filosofia e Introdução às Ciências Humanas em diversos cursos, entre eles Pedagogia, Direito, Administração, Educação Física e Fisioterapia.

Sua produção intelectual e literária reflete sua sólida formação humanística. Seu primeiro livro publicado foi a dissertação de mestrado “Retrato Inacabado: Montaigne e a Formação do Indivíduo no Renascimento”, editado pela Universidade São Francisco em 2000.

Membro da Academia Bragantina de Letras, ocupa a cadeira nº 11, cujo patrono é o jornalista José Payão Neto. Participou de diversas obras coletivas da instituição, entre elas:
Academia em Obras (2008);
Livro dos Patronos (2010);
Caminhando (2013);
Memória da Cidade – Aspectos Culturais e Artísticos de Bragança Paulista, Séculos XVIII, XIX e XX (2019);

Memória da Cidade – Bragança Paulista: Bairros, Praças e Logradouros (2024).
Em junho de 2022 lançou “Vozes da Memória – Histórias de Marília (1930-1960)”, obra autobiográfica que revisita sua infância e adolescência sob a perspectiva das transformações sociais e culturais de sua cidade natal.

Em 2024 publicou “O Pingo do Miró – Ensaios e Contos de um Museu Imaginário”, reunindo reflexões, narrativas e observações que evidenciam sua sensibilidade literária e olhar humanista.

No ano de 2025 lançou “Memórias de uma aluna de Filosofia – da Maria Antônia à Cidade Universitária”, importante testemunho sobre a vida universitária durante os anos de ditadura militar e as experiências que moldaram sua formação intelectual.

Atualmente, finaliza um novo livro de contos, com lançamento previsto para o FLIB – Festival Literário de Bragança Paulista. Também participa da continuação da coleção Memória da Cidade, contribuindo com um texto sobre bairros bragantinos, obra que será lançada durante a edição de 2026 do festival.

Ao longo de sua trajetória, Liana consolidou-se como uma das vozes mais respeitadas da cultura regional, unindo rigor intelectual, sensibilidade literária e profundo compromisso com a preservação da memória e da identidade cultural.
Bragança Paulista, junho de 2026.

Homenagem do Portal D’Óro
Liana Eppinghaus Barbalho Silva Teles é uma humanista por excelência. Transita pelos espaços culturais de Bragança Paulista e da região com elegância, inteligência e rara gentileza. Sua dedicação à educação, à literatura e à preservação da memória coletiva faz dela uma referência para todos aqueles que acreditam na força transformadora da cultura.
É uma honra reproduzir sua biografia e compartilhar o mesmo tempo histórico de sua existência.
Mário Doro
Portal D’Óro – presente na cultura e na divulgação das pessoas que fazem cultura por amor à causa.

Mario Doro

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