The lunatic is in my head, The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You rearrange me ‘til I’m sane
You lock the door and throw away the key
There’s someone in my head, but it’s not me
(Brain Damage – Pink Floyd)
Se o pensar nos faz crescer, o que nos faz enlouquecer?
Vivo a doença silenciosa da busca da sanidade mental, que me foi imposta, por viver à revelia, em pecado e contradição. Imoralidades de quem raciocina…
Quem planejou o meu viés, me deu a direção, de achar na cultura que não me molda, as causas da minha cognição reinventada. Pois essa sociedade dos valores moralmente impostos, não cabe em nossos corpos e nossa consciência.
Por que somos culturalmente obrigados a cultuar e acreditar em um Deus que nunca vimos, a produzir milagres que passamos uma vida a esperar…??
Acreditamos que meninos vestem azul e meninas vestem rosa – e assim estigmatizamos meninas que brincam de casinha ou meninos que não jogam futebol, roubando sua autonomia e liberdade de ser…
Aprendemos um certo e errado que é de todo errado, pois ninguém explicou que a felicidade nasce dentro e não fora de nós, que o “felizes para sempre” é só um mais um slogan que nos distrai, levando à vala comum da mediocridade onde nos indicam como ser, o que vestir, o que comer, o que pensar e o que sentir!
“Mulher é mesmo assim”, “família deve ficar unida”, “bom emprego é para sempre” – dogmas disfarçados que nos obrigam desde a infância a acreditar num mundo bom onde vão cuidar de nós – de sacerdotes a curandeiros que envenenam nossas mentes e corpos saudáveis.
Compramos diplomas ao invés de arriscar experiências, buscamos reconhecimento de quem não deseja nosso bem, e perseguimos uma riqueza que nunca confortará a nossa alma… “trabalhe que você vai ficar rico”, “lugar de mulher é na cozinha”, “homem não chora”, “Deus castiga”… a sociedade de privilégios que constrói falsas verdades para colocar todo mundo no molde da obediência.
Nessa loucura de viver o personagem que nunca seremos, ou desejar ingenuamente um mundo que nunca será nosso, o saber e a ética viraram lendas na boca de sábios e iluminados, que as cultivam como plantas em extinção, crendo que um dia possam curar essa cognição social adoentada.
Na minha jornada pessoal, serei sempre a “ovelha negra da família”, mas vivo a delícia de ser o que sou, sob a feroz resistência da família e seus valores caducos, da sociedade da moralidade duvidosa, da academia e sua ciência vendida, da religião e seus deuses punitivos, do mercado e seus empregos insuficientes, espaços onde geralmente devemos enterrar nossos sonhos, desejos e criatividade, para atender a um modelo de sociedade que até hoje só gerou violência, preconceito, intolerância e miséria.
Era uma vez… quem acreditava que alguém iria cuidar de nós – pai, patrão, padre, soldado, prefeito, namorado… homens travestidos de super-homens constrangidos em sua ausência de poderes… a tentar inutilmente salvar as “donzelas em perigo” – mulheres frágeis, dependentes, limitadas, que existem para parir e servir – até parece!!!!
Todas as lendas são assim – para lembrar o que não aconteceu… (“Lendas Brasileiras” de Aldir Blanc)
Não sou o corpo, o emprego, a riqueza, a atitude que se espera de minha idade, crenças baratas que a sociedade exige de mim. Sou assim mesmo, unicidade de minhas buscas e esforços em desvelar minha essência, compreender a minha trajetória terrena e escolher como viver e que legados deixar. Penso, compreendo, e assim ganho a potência necessária para questionar os “poderes seculares” que nos enfiam moralismos goela abaixo, para não sufocar, nem perecer.
Nesse caminho, veja um mundo pleno de ideias, possibilidades, cura, conexão com a natureza de quem somos e a que nos cerca, pois somos todos frutos da mesma força anímica…! Mas para o mundo dos dogmas, sou o deslocado…
Ah, quanta gente perdida acreditando que ter “saúde mental” é render-se a tudo isso! É para ficar doido mesmo!
Viva a minha insanidade lúcida!


