O retrato na estante

O Retrato na Estante
Por Mário Doro

Todos nós já ouvimos — ou até escrevemos — sobre uma fotografia pousada numa estante.
Mas hoje percebo que as duas fotos que guardo dos meus pais não estão ali apenas como objetos estáticos.

Elas vivem em outro lugar: no meu coração, na minha memória e no legado silencioso que continua a sussurrar em mim todos os dias.

A foto da minha mãe não mostra apenas um rosto.
Mostra afeto servido à mesa, mãos que temperavam comida com carinho, cuidado atento à saúde dos filhos e uma dedicação que atravessou décadas.
Mostra o amor que só quem gerou vida consegue sustentar com doçura.

A foto do meu pai não revela apenas um olhar.
Revela sabedoria, honestidade absoluta, retidão, amor firme e exigente — aquele tipo de exigência que não oprime, mas constrói.
Meu pai sempre buscou ensinar a trilha correta, o valor da palavra, a importância de ser íntegro em uma sociedade que tantas vezes tenta nos desviar.

E aí eu pergunto a você que está lendo:
já percebeu que o verdadeiro legado não está nas molduras, mas nas atitudes?
É a forma como vivemos — com retidão, carinho e amor — que determina se seremos lembrados não como uma simples fotografia esquecida na estante, mas como alguém que realmente deixou marcas.

Porque existe, sim, o outro lado.
Há pessoas que passaram pela vida como sombras amargas: prepotentes, racistas, arrogantes, incapazes de amar nem aos próprios filhos.
Gente que feriu, destruiu, que escolheu a dureza como identidade.

Esses não merecem foto na estante, nem lembrança na memória.
E, tristemente, deixam seguidores — espíritos pequenos que carregam as mesmas artimanhas, sempre prontos a ferir o próximo.

Por isso, escolha ser uma lembrança boa.
Seja alguém que permaneça não pelo mal que fez, mas pelo amor que ofertou.
Que sua memória jamais doa.
Que seu retrato, quando vier, não seja apenas imagem — mas símbolo de uma vida que valeu a pena ser vivida.
E lembrada.

Mario Doro

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