O Globo no Ar… Por um Brasil colônia.

O Globo, fundado por Roberto Marinho em 1925 é o ovo da serpente daquilo que seria o Grupo Globo, desempenhou, desde sua criação,  um papel central e de oposição frontal a qualquer avanço social, que tirasse o Brasil do colonialismo, especialmente durante o segundo governo Vargas (1951-1954), em um cenário de apoio popular às mudanças sociais promovidas na primeira fase do governo Getúlio, entre elas os direitos trabalhistas e a criação de grandes estatais para a manutenção de recursos minerais e energéticos.

Alinhada com a UDN, o Globo foi um dos principais veículos de imprensa a apoiar o partido conservador que era o maior opositor de Vargas.

O Globo e outros jornais da época intensificaram o noticiário contra Vargas após o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda (atentado providencial para jogar a culpa em Vargas, porém nunca provado o seu envolvimento), aliado de Roberto Marinho e inimigo de Vargas, criando uma crise final do governo.

A cobertura do Globo era parcial e agressiva contra as políticas nacionalistas de Vargas, incluindo a criação da Petrobras e medidas que limitavam a remessa de lucros de empresas estrangeiras, o que contrariava os interesses da elite econômica e de setores apoiados pelo jornal.

A imprensa, com O Globo na linha de frente, fomentou um ambiente de forte pressão popular criando um clima de golpe, como vimos recentemente nas passeatas de 2013, onde o povo saia as ruas, sem saber os motivos.

O Globo negava em 1954 ter conspirado contra Vargas, argumentando que sua cobertura foi jornalística em meio a uma crise política, como negou qualquer tipo de narrativa golpista entre os anos de 2013 a 2016. Um filme repetido, ou remake de novela de sucesso, com novo atores e sob nova direção.

No entanto, diversos historiadores apontam que Roberto Marinho e seu jornal faziam parte de um grupo que visava a deposição de Vargas e a eleição de um capitalista liberal, alinhado aos EUA.

Assim como em 1954 o Globo fazia parte de um grupo capitaneado pelos EUA, incluindo uma união de setores da direita (UDN) e até da esquerda (PCB) na imprensa, pedindo a cabeça de Getúlio, culminando no suposto suicídio do presidente em 24 de agosto de 1954 e, que atrasaria o golpe em 10 anos,  em 2016 o golpe culmina numa cassação de Dilma, por um crime não cometido, com único intuito de privatizar setores da economia e não permitir o uso de 20% dos lucros do petróleo, na educação, além enfraquecer o recém criado Brics.

Assim como em 1954 e 2016, o golpe de 1964, teve todo apoio do Globo, jornal e rádio e posteriormente televisão, em pagamento a concessão de um canal de TV, que se projetava com 2 gênios da emissora, capazes de transformar sentimentos populares em audiência. Clarck e Bonifácio.

A Globo, no final dos anos 1960, precisava audiência para vender o país do milagre, tarefa que cumpriria com maestria, mas para ter audiência, não poderia se utilizar dos mesmos meios de Tupi, Excelsior, e Record, cada uma líder em seus setores, exceto a Tupi, que perderia seu dono, Chateaubriand e em breve sucumbiria, em 1969, um único produto dessa emissora, abriu os olhos da Globo, para uma realidade copiar e ampliar.

O produto em questão era a novela Beto Rockfeller, que ao usar uma linguagem atual da época, musicas consagradas internacionais e atores que seguravam o drama com humor, acabou sendo o insight (não achei outra palavra) para a mudança. A Excelsior canal 9 sairia da concorrência com o apoio dos ditadores. Durante a programação normal, foi simplesmente fechado, ao vivo, pelo governo. O mesmo governo que já havia fechado a Panair, propriedade da mesma família, para o crescimento da Varig, agora lacrava o Canal 9, para o crescimento da Globo e, dai viriam todos os principais nomes das novelas Globais (Lima Duarte, Chico Cuoco, Gloria Meneses, Regina Duarte, Trapalhões, com outra formação, etc.), que se tornariam a própria cara da Globo, enquanto a Record, já em declínio por erros fatais, perdia seus principais nomes, da linha de shows (Jô Soares, Renato Corte Real, Roberto Carlos, entre outros), para a própria Globo.

A Globo tinha os nomes de grandes atores, atrizes, cantores, diretores vindos de suas antigas rivais., mas ainda não tinha a formula do sucesso para prender a atenção e dominar a audiência. Sabia-se que a manipulação da camada mais pobre culturalmente era simples e poderia ser feita por nomes como Silvio Santos e Chacrinha, que ainda se encontrava na Tupi e embora não fizessem parte do padrão desejado, poderiam ser uteis no futuro. Contas com essa audiência seria bom, porem não lucrativa, pois não gerava retorno de vendas aos patrocinadores, principalmente numa ditadura de recessão, onde a camada menos culta é também a com menor poder de compra. E a Globo precisava audiência mais qualificada, só assim poderia ter uma maquina de informação dominante.

Se dominar a baixa e media burguesia não era problema, isso poderia ser feito até com um padre, no domingo de manhã, o mesmo não ocorria com a classe mais intelectualizada, como a chamada geração 68, os Tropicalistas e outras classificações, que começavam a casar, lutar por direitos e ter filhos, produzindo uma nova geração de expectadores. A Globo precisava manter as televisões ligadas, mesmo que o professor universitário não estivesse prestando atenção, alguém na casa, sua mãe, seu filho, uma empregada, estaria ouvindo alguma coisa e, alguma coisa ficaria na mente.

A Globo logo percebeu que não poderia contar com seus aliados conservadores para criar uma audiência, intelectual conservador não funciona e nem pode ser chamado de intelectual. Assim foi buscar aqueles que realmente possuíam nível intelectual para a tarefa. Com a maior parte da intelectualidade nacional perseguida e desempregada, a Globo convence a ditadura, que a contratação de intelectuais, lhe garantiria a audiência e TVs ligadas o dia todo, o que na hora do jornalismo, seria útil para os projetos dela, a Globo e dos ditadores.

Dias Gomes foi um dos maiores exemplos, conhecido por suas críticas sociais contundentes. Comunista, foi um dos principais autores da programação dramática. Roque Santeiro Saramandaia, O Bem Amado, etc. Oduvaldo Vianna Filho, intelectual de esquerda, fundamental na dramaturgia brasileira, em A Grande Família (1972) monta uma crônica social da classe trabalhadora. Janete Clair teve obras espionadas pelo regime militar e inseria críticas sutis, especialmente em tramas que exploravam o cotidiano e desigualdades. Walter George Durst: Roteirista e autor, escreveu Gabriela (1975), baseada na obra de Jorge Amado, comunista, que teve outros romances transformados em novelas e series. O diretor Paulo Grizzolli e tantos outros.

O mesmo ocorre com atores esquerdistas, Lima Duarte: Ator de forte presença, conhecido por atuações marcantes e posicionamentos alinhados à esquerda, como em O Bem-Amado. Juca de Oliveira: Ator e autor, reconhecido por papéis de crítica social, como João Gibão em Saramandaia (1976). Fernanda Montenegro, Francisco Cuoco, galã da época, teve sua vida espionada pela ditadura militar. Paulo Gracindo, ator de prestígio, presente em obras que satirizavam o poder (como O Bem-Amado). Bete Mendes, torturada por Ustra, Jô Soares, ainda nos anos 1970, se rendeu a Chico e Caetano, Gonzaguinha e outro nomes da esquerda. Esses nomes se somariam aos mais jovens que chegariam nas duas décadas seguinte, a de 1980 e a primeira metade dos anos 1990.

Nos anos 1980, a Globo abre os olhos para o rock nacional e utiliza o grande numero de bandas crescentes, mantendo-as na tela até por volta de 1990, algumas até 1995, substituindo o ritmo considerado contestador, pelo bolero sertanejo, já na medida para um novo público, formado nas telas da própria Globo, onde Xuxa é vista como uma intelectual. Nessa época a geração 68 é feita de avôs e o projeto de “Ensino Capanema”, da era Getúlio, já tinha sido enterrado.

Foram esses nomes, e outros esquerdistas, que fizeram a Globo ter a imagem “democrática” e com sucesso para manter televisões ligadas, conseguindo alto padrão também com anunciantes, cujo retorno comercial é o que lhes interessa, e o domínio na confecção de notícias, de acordo com suas necessidades.

Assim a Globo que em 54 derrubou Getúlio, em 64 derrubou João Goulart, elegeria Collor de Melo em 1989, cassaria Dilma em 2016 e elegeria Bolsonaro em 2018. Ainda assim, conservaria entre ignorantes, totalmente retardados, a fama de ser de esquerda, mesmo com o Power Point do Dellagnol e agora com o do Banco Master.  A Globo tem seus candidatos, nenhum da esquerda, nunca os teve, mas os manipulados seguem repetindo o mantra, como zumbis rumo a um cérebro.

Antonio Sonsin

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