O Carnaval não é desordem.

Desordem é fingir que o ser humano aguenta pressão infinita.

Religião, ciência e cultura sempre souberam de algo que o mundo corporativo insiste em ignorar:
o ser humano precisa de ritmo, não de exaustão contínua.

O Carnaval nasce, historicamente, como um período de licença simbólica antes da quaresma.
Primeiro a expansão.
Depois o recolhimento.
Primeiro o excesso.
Depois o ajuste.

Até a espiritualidade sempre entendeu isso melhor do que muitas empresas modernas.

Na tradição cristã, existe tempo para festa e tempo para silêncio.
Tempo para celebração e tempo para disciplina.
Tempo para extravasar… e tempo para ordenar.

A neurociência confirma:
o cérebro não sustenta alta performance sem alternância de estados.
Pressão constante mantém o sistema nervoso em alerta, aumenta cortisol, reduz criatividade, piora decisões e destrói senso de propósito.

Na PNL, isso é básico:
quem não aprende a mudar de estado, perde acesso aos próprios recursos internos.

Agora vem a provocação real.

Empresas que demonizam pausa criam ambientes doentes.
Empresas que romantizam festa criam ambientes irresponsáveis.

Ambas fracassam.

Alta performance não é trabalhar sem parar.
E também não é viver em modo carnaval permanente.

É saber quando expandir…
e quando alinhar.

Religião chamava isso de sabedoria.
A ciência chama de regulação.
A gestão moderna chama de estratégia.

Mas no fundo é a mesma coisa:
sem ordem, não há progresso — e sem descarga emocional, a ordem vira opressão.

O problema não é o Carnaval.
O problema é liderança que não entende de gente, só de meta.

E empresas que não entendem de gente…
mais cedo ou mais tarde pagam essa conta.

— Pedro Fabrini

Pedro Fabrini

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