Geração 68, lado A e B

A “Geração 68” é considerada a mais culta na história do Brasil. É a terceira geração formada sob o projeto de educação e cultura de Gustavo Capanema, que estudou, “primário, segundo grau e terceiro grau”, como eram chamadas as fases do ensino, no final dos anos 1940 e início de 1950, ingressando na faculdade entre os anos de 1962 a 1968.

Com alto nível de ensino, filhos de “letrados” dos anos 1950, completaram seu enriquecimento cultural com a explosão de novidades artísticas do inicio dos anos 1960, a efervescência da luta contra a ditadura e um espirito social acima de sucesso financeiro pessoal, mas quando falamos na geração 68, o termo refere-se apenas a uma pequena camada desses jovens, que movimentaram os anos 1960. Nunca se preocuparam com religião, embora muito fossem católicos ou judeus.  Muitos nunca consideraram o casamento como opção eterna, não frequentavam zona, pois faziam parte de uma sociedade de amor livre. Ainda hoje lutam por direitos sociais, igualdade de sexos, contra o imperialismo e contra impérios. São patriotas no verdadeiro sentido da palavra, lutam por autonomia e estado forte.

No máximo um terço dos jovens formandos dessa época, podem ser considerados parte integrante da famosa geração. Eram pós bossa nova, eram tropicalistas, feministas, modernistas, e com uma coragem de berço, completada por muita filosofia, antropologia, sociologia e história.

Dos dois terços restantes, um era composto pode burgueses, filhos de burgueses, que se tornariam ganhadores de dinheiro, subservientes ao sistema e sem nenhum compromisso social. Esses eram o mais inúteis, não foram importantes em nada, não são conhecidos e passaram pela vida como nada, mas existe uma terceira parte da geração 68, sociologicamente pouco estudada e que, hoje são políticos, aposentados, empresários, que nunca contribuíram com a sociedade. São católicos, casaram-se com mulheres troféus, as quais traiam conforme o tempo lhes trouxessem marcas, ou quilos, possuíam amantes fixas e em muitos casos outras famílias. Sexualmente insatisfeitos, muitas vezes enrustiam a própria sexualidade.

Esse terceiro grupo não eram necessariamente burgueses, filhos de imigrantes, muitos dos quais fascistas, que nunca fizeram parte da burguesia e nem da intelectualidade cultural. Levaram para a vida profissional, retalhos de uma infância medíocre, carregados de complexos, subserviência (tanto que eram bons funcionários) e um sentimento de vitória, até compreensível, se considerada a vida medíocre da qual vieram. Esse grupo é predominantemente católico, casaram-se com a conhecida da família, ou colega de escola, porém pronta para ser dona de casa. Não eram adeptos a amantes fixas, preferindo bordeis e casas de diversões. Frequentam jantares, principalmente do tipo entidades e se tornaram assexuados. Suas mulheres gastam parte do tempo em salões e shoppings. Inutilmente. Gostam de futebol e quando podem vão a um jogo. São medíocres como seus pais, em cenários diferentes. Hoje fazem parte da direita, são o sustentáculo do conservacionismo. Falsos patriotas, consideram positiva a entrega de bens do povo e recursos naturais. Conseguiram ter carro novo, duas ou três casas e viajaram muito, principalmente a trabalho, sem nunca ter absorvido culturas diversas. Consideram a meritocracia e defendem o fim da CLT.

Esse estudo não tem nenhuma validade sociológica, nem metodologia cientifica, são apenas observação de uma vivencia com esses tipos, sendo eu, da geração pós 68. Assim tive muitos amigos dessa geração. Consegui separar esses 3 tipos e qualificá-los de acordo com a convivência. Do conhecido burguês, formado na PUC, que nunca passou de profissional medíocre, subserviente e pessoa descartável, ao complexado que se deu bem, de acordo com seus conceitos e se tornou aposentado contra aposentadoria, mas tem carro zero e casa grande. Até chegar no artista, no historiador, no cientista, no musico, geração 68, com voz no mundo e uma bagagem de lutas por direitos humanos. Esses ficam na história. Ajudaram a fazer a história, não a riqueza do patrão ou a própria riqueza.

E aí fica a pergunta, como formar uma nação, quando apenas um terço de uma geração existente há 56 anos, sabe o significado? Como formar uma nação com conservadores entreguistas e falsos patriotas? Nas mão de qual geração ficará o país, ou se transformará ele, numa colônia?

Antonio Sonsin

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