Estamos entrando no mês de abril. E, como todos nós sabemos, o fim de abril e o começo de maio trazem o evento mais importante para Bragança Paulista: a Festa do Peão, a Expoagro, ou, para muitos, simplesmente o “PDM”.
E, como acontece todos os anos, reaparece a mesma discussão. “Ai, porque não deveríamos fazer a festa.” “Deveríamos gastar esse dinheiro com saúde.” “Esse recurso deveria ir para outras áreas mais importantes.”
Não, não deveria. E por uma razão muito simples: uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Existe, antes de tudo, uma confusão recorrente nesse debate. Muita gente fala da festa como se ela fosse apenas um gasto sem retorno, como se fosse um capricho bancado às custas de outras prioridades da cidade. Não é assim que a realidade funciona. Todos os anos, a Prefeitura realiza a licitação e recebe recursos para que o evento aconteça em Bragança Paulista. Ou seja: há entrada de recursos no caixa do município. Além disso, os custos de montagem de palco, arquibancadas, organização do espaço e contratação de shows são de responsabilidade do vencedor da licitação, e não simplesmente uma conta jogada no colo da população.
Mas o ponto não é só esse.
A realização da festa também gera externalidades positivas para o município. E isso não é detalhe. Há contratação de funcionários, aumento no movimento de hotéis, restaurantes, bares, ambulantes, lojas de roupas e acessórios, além do crescimento no consumo de alimentos e bebidas. É gente trabalhando, é comércio vendendo, é dinheiro circulando dentro da cidade. Em um período de poucos dias, o evento movimenta setores inteiros da economia local e beneficia desde grandes estabelecimentos até pequenos empreendedores.
Ignorar isso é olhar para a festa de forma superficial. Não se trata apenas de entretenimento. Trata-se também de atividade econômica, geração de renda e fortalecimento do comércio local.
Há ainda um terceiro ponto, que muita gente insiste em desprezar: o fator cultural. A festa faz parte da identidade de Bragança Paulista. Ela está ligada à cultura sertaneja, à tradição caipira e ao imaginário popular da cidade. Pode até não agradar a todos, e isso é normal. Mas uma cidade não deve abandonar aquilo que compõe sua própria identidade só porque uma parte das pessoas não se identifica com o evento.
É evidente que críticas podem ser feitas. A organização do evento, por exemplo, há anos deixa a desejar em vários aspectos. A qualidade da estrutura, a experiência do público, a logística, a segurança e outros pontos sempre podem e devem ser cobrados com seriedade. Esse é um debate legítimo. Criticar falhas é uma coisa. Defender que o evento não deva existir é outra, completamente diferente.
Transformar, ano após ano, a realização da festa em um falso dilema entre cultura e saúde, entre lazer e responsabilidade pública, não faz o menor sentido. Uma cidade precisa cuidar da saúde, da educação, da infraestrutura e da segurança. Mas também precisa valorizar sua cultura, movimentar sua economia e manter vivos os eventos que fazem parte da sua identidade.
Bragança Paulista não tem nada a ganhar enfraquecendo aquilo que movimenta a cidade. Ao contrário: deve manter, apoiar e aprimorar seus eventos. Mesmo que alguém não goste de música sertaneja, precisa entender que o interesse coletivo é maior do que gosto pessoal.


