Cásper líbero esquecido por Bragança Paulista

Bragança Paulista precisa escolher entre a memória e a omissão.
Cásper Líbero fez o Brasil correr.
Sua cidade precisa fazer justiça.

Autor – Mário Doro

Bragança Paulista deve uma dívida histórica a Cásper Líbero
É inadmissível que Cásper Líbero, um dos maiores nomes da história da comunicação e do esporte no Brasil, continue sendo tratado com descaso pela cidade onde nasceu: Bragança Paulista.
Foi Cásper Líbero quem, em 1925, criou a Corrida de São Silvestre — hoje um dos eventos esportivos mais importantes, simbólicos e reconhecidos do país e do mundo. Mais do que uma prova atlética, a São Silvestre tornou-se patrimônio cultural brasileiro, atravessando gerações, regimes políticos e transformações sociais.
E, no entanto, sua cidade natal insiste em ignorar esse legado.
Onde estão as políticas públicas de preservação da memória?
Onde está o reconhecimento institucional?
Onde está o respeito a um bragantino que ajudou a moldar a identidade nacional?
O silêncio do poder público não é neutro. Ele é conivente com o apagamento histórico. Revela a incapacidade — ou a falta de interesse — de dirigentes políticos que preferem investir em ações efêmeras, autopromoção e projetos de curto prazo, em vez de valorizar aquilo que realmente constrói identidade, pertencimento e educação cidadã.
Uma cidade que não honra seus filhos ilustres demonstra pobreza cultural, não financeira. Demonstra despreparo histórico e miopia administrativa. Demonstra que governa sem memória e, por consequência, sem futuro.
Não se trata de favor.
Não se trata de ideologia.
Trata-se de dever público.
Bragança Paulista precisa, com urgência:
Reconhecer oficialmente Cásper Líbero como patrimônio histórico e cultural do município
Criar ações permanentes de memória, educação e divulgação de sua obra
Integrar seu nome à formação cultural das novas gerações
Assumir publicamente a omissão histórica cometida até aqui
Valorizar Cásper Líbero não é olhar para o passado — é ensinar o futuro. É mostrar que esta cidade sabe reconhecer grandeza quando ela nasce em seu próprio chão.
Enquanto isso não acontecer, Bragança continuará devendo não apenas a um homem, mas à sua própria história.
E uma cidade que esquece quem a engrandeceu
não pode exigir respeito fora de seus limites.

Mario Doro

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