
Biografia
Kleber Campos
Kleber Campos é geógrafo, pesquisador e consultor ambiental, com atuação nas áreas de hidrogeologia, gestão ambiental e políticas públicas relacionadas ao meio ambiente.
Graduou-se em Geografia Física pela Universidade de São Paulo (USP) em 2001, pelo Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Posteriormente obteve o título de Mestre em Hidrogeologia e Meio Ambiente pelo Instituto de Geociências da USP, em 2005. Em 2008, especializou-se em Gestão Ambiental e Negócios no Setor Energético pelo Instituto de Energia e Eletrotécnica da USP.
Entre 2007 e 2009, atuou na Prefeitura da Estância de Atibaia, exercendo a função de assessor no Departamento de Meio Ambiente, vinculado à Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, contribuindo para o desenvolvimento de políticas e ações voltadas à gestão ambiental municipal.
Na área acadêmica, construiu uma sólida trajetória como docente. Lecionou nos cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária e Engenharia Civil das Faculdades Oswaldo Cruz, entre 2006 e 2019. Também integrou o corpo docente do Centro Universitário Senac, onde ministrou aulas no curso de Engenharia Ambiental entre 2007 e 2010.
Paralelamente à carreira acadêmica, Kleber Campos atua como consultor e instrutor em treinamentos técnicos voltados à administração pública municipal e estadual, abordando temas relevantes para a gestão ambiental contemporânea, entre eles:
Gestão de resíduos gerados por desastres naturais
Mapeamento de áreas suscetíveis a escorregamentos e inundações
Gerenciamento de resíduos sólidos urbanos
Gestão de resíduos especiais e de serviços de saúde
Implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos
Avaliação preliminar de fontes de contaminação ambiental
Além de suas atividades técnicas e acadêmicas, Kleber Campos participa de iniciativas voltadas à pesquisa, educação ambiental e conscientização da sociedade sobre questões ecológicas. É um dos idealizadores da Expedição Pelo Onofre, projeto que promove estudos e reflexões sobre recursos naturais e preservação ambiental, e também integrante do Coletivo Araçá Azul, grupo dedicado à promoção de ações culturais e ambientais.
Com uma trajetória marcada pela integração entre ciência, educação e gestão pública, Kleber Campos contribui para o fortalecimento de práticas sustentáveis e para o desenvolvimento de políticas ambientais responsáveis, fundamentais para a preservação dos recursos naturais e para a construção de um futuro mais equilibrado para as próximas gerações.
Kleber Campos generosamente escreve artigos, segue abaixo um artigo de sua autoria .
[Por Kleber Cavazza Campos. Pensar transmitido a mim pelo caboclo Îaguâra,
entidade que tem me acompanhando em minha travessia por este “Resto de
Mundo”, partilho. Out.2023.]
Das tantas linguagens que falávamos, restou-nos a oral e a escrita.
Somente!
As tantas outras, essas estão perdidas, propositadamente, em um canto
empoeirado de nossos corpos.
Povos de África quando trazidos escravizados para o Brasil, chegando aqui
encontraram os “originários” daqui. África, assim como hoje, abrigava várias
linguagens. Várias culturas! Mesmo assim, com oralidades diferentes, os povos de
África se comunicaram com os que aqui estavam. E aqui já existiam oralidades
diversas.
E como se comunicaram?
Por meio da linguagem cosmológica…
Por meio da leitura dos rios, das matas, das pedras, dos morros, do vento, dos
cheiros, dos gostos, dos astros… da dança!
Somos essencialmente linguagem cosmológica! É nossa essência!
É a linguagem do viver bem, do viver gostoso. Um bem, um gostoso que não
encontra conceituação nos dicionários ocidentais, nos dicionários eurocêntricos.
Apagada, deixada de lado, hoje somos empobrecidos e restritos às linguagens
escrita e oral. Tudo muito uniforme, cartesiano!
E apesar dessa uniformidade nas linguagens, ouso dizer que nunca como n’outro
momento houve tanta dificuldade para nos entendermos.
Praticamos a linguagem vertical, colonizadora. De cima para baixo! Do opressor para o oprimido! Do oprimido que quer deixar de ser oprimido para poder ser
opressor!
Linguagem na qual as verdades resumem-se àquilo que fundamentalistas religiosos
e das ciências pregam.
Estes, os das ciências, por não aceitarem a existência de outros saberes. Todo saber
para estes é abstrato, não sensível. Fora do mundo cartesiano não há possibilidade
alguma! Dois e dois será sempre quatro.
Quando aceitam saberes não
eurocêntricos cristãos, apropriam-se e os rotulam com nomes mercadológicos, a
exemplo dos orgânicos que não são orgânicos mas sim mercadoria sem pesticidas.
Como chamar de orgânico se não são acessíveis a todos? Do ponto de vista dos
saberes ancestrais, orgânico não é! Também, epistemologicamente, não é orgânico!
Autor: Kleber Campos


