Evangelho de São Mateus 5, 1-12

Festa de Todos os Santos – Ano A. Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. 4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11 Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim. 12 Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Palavra da salvação.

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. Lendo um tanto rápido este Evangelho, poderemos ter a falsa impressão de que, para entrar no céu, é preciso passar pelo sofrimento e pela dor. Isto não é verdade. O sofrimento e a dor aparecem em nossa vida como consequência de nossas ações ou das ações de nossos semelhantes, e não por vontade de Deus. Por outro lado, poderemos também ter a falsa impressão de que, para entrar no céu, é preciso ser pobre. Isto também não é verdade. Ao estimular a pobreza, pode-se incidir no erro de ser entendido como estímulo à acomodação. Deus não quer acomodados, mas discípulos dispostos ao aprendizado, pois, quanto mais se sabe, mais se pode colaborar no projeto divino. E, se Jesus assim procedesse, estaria excluindo da felicidade eterna os ricos e os remediados, para os quais Ele veio também, como se lê em João 10, 10: “Eu vim para que (todas as ovelhas) tenham vida e a tenham em abundância”. Observe que as palavras de Jesus são “pobres em espírito” e não simplesmente pobres. Precisamos descobrir o significado real dessa expressão. Segundo o padre e teólogo José Bortolini, in Revista Vida Pastoral, novembro/dezembro de 2002, “pobres em espírito são os que depositaram sua confiança em Deus enquanto última instância”. De onde se conclui que pobres em espírito são todos os que observam a Palavra e se colocam a serviço de Deus e dos irmãos. Quem assim vive proclama a vida, a liberdade, a fraternidade, a partilha, a justiça e a paz. Pobres em espírito, nesta terra, foram todos os santos que hoje vivem no céu, ao lado de Deus. A começar por Nossa Senhora, podemos citar ainda: Santa Isabel, rainha de Portugal; Santa Iolanda, filha do rei da Hungria; Santa Margarida, rainha da Escócia; São Venceslau, príncipe e duque da Boêmia; São Francisco Borja, marquês e vice-rei da Catalunha; Santo Eduardo, rei da Inglaterra; e muitos outros. Citei apenas os santos ricos e com título de nobreza para mostrar que todos, indistintamente, são chamados à santidade. Observando o texto, podemos dividi-lo em três partes. Duas estão misturadas e sem ordem, e a terceira vem por último e o encerra.

Na primeira parte, reunimos “os pobres em espírito, os mansos, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz”. Podemos notar que nada têm a ver essas pessoas com pobreza ou riqueza, pois tanto ricos quanto pobres podem ter tais qualidades. Na segunda parte, podemos reunir “os aflitos, os que têm fome e sede de justiça, os que são perseguidos por causa da justiça”. Novamente, podemos notar que nada têm a ver essas pessoas com pobreza ou riqueza, pois tanto ricos quanto pobres podem passar por estas situações. Na terceira parte, existe o arremate, pois todos os que foram mencionados serão bem-aventurados se a causa de sua bondade ou sofrimento tiver sido a perseverança na Palavra de Deus. Seguir Jesus nos conduz à salvação: “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Paulo Trujillo Moreno, professor licenciado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para Leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito, em Bragança Paulista.

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