TRÊS PONTES!
Eu, que nunca fui engenheiro, teria de passar por uma obra dessas dentro do peito. E sem direito a escolher o empreiteiro, fiscalizar o serviço ou reclamar do orçamento!
Brincadeiras à parte, o Ano-Novo de 2009 teria de esperar. Enquanto o mundo se preparava para a festa, eu tinha um compromisso inadiável com a mesa de cirurgia.
Naquele dezembro, descobri que o calendário não tem autoridade sobre o destino. O ano pode mudar à meia-noite, com fogos, abraços e champanhe. Mas, para alguns de nós, o verdadeiro Ano-Novo só começa quando a vida nos concede a oportunidade de continuar.
O meu estava atrasado.
E eu esperava por ele de coração aberto — ou, pelo menos, com as três pontes devidamente planejadas!
E O ANO-NOVO CHEGOU!
Sobrevivi à reforma cardíaca. As três pontes cumpriram sua missão, e a vida, generosa, permitiu que eu continuasse minha caminhada.
Mas não voltei exatamente o mesmo.
Aprendi a desacelerar. Eu, que tantas vezes parecia ter um compromisso urgente com o relógio, descobri que a vida não é uma corrida de cem metros rasos. Há momentos em que precisamos diminuir o passo, olhar ao redor e perceber quem está caminhando conosco.
Aprendi a ser mais amigo, mais presente na vida da família. A dar mais atenção às pessoas, a valorizar os encontros, as conversas, os abraços e até aqueles pequenos momentos que, na correria cotidiana, costumamos tratar como se fossem insignificantes.
Afinal, de que adianta correr tanto para chegar a lugar nenhum?
Não virei santo, nem filósofo de almanaque. Continuo sendo o mesmo sujeito, com meus defeitos, minhas teimosias e minhas histórias. Mas passei a entender que não precisamos esperar o coração ameaçar uma greve geral para rever nossas prioridades.
Dezembro de 2008 me deu um susto daqueles! O Ano-Novo de 2009 chegou atrasado, com três pontes no peito e uma porção de planos revistos.
E sabe de uma coisa?
Foi, de fato, um novo ano.
Não porque o calendário mudou, mas porque eu também precisei mudar.
Hoje, olhando para trás, penso que há reformas que a medicina faz nas artérias e outras que a vida, sem pedir licença, faz na gente.
A primeira me ajudou a continuar vivo.
A segunda me ensinou a viver melhor.
E assim, de coração remendado, passo a vocês o meu desejo de Ano-Novo:
Que tenhamos saúde para caminhar, sabedoria para desacelerar e sensibilidade para não deixar para amanhã o carinho que podemos oferecer hoje.
Porque o tempo passa, meus amigos. E não há cateterismo, angioplastia ou cirurgia que consiga instalar uma ponte de safena entre o ontem e o amanhã.
O que podemos fazer é cuidar melhor do hoje.
E, quando o Ano-Novo chegar, que seja, de coração, o melhor ano de nossas vidas!
Professor Pedro Troche Gonzalez


