Vozes da literatura local despertam o encantamento pela leitura em estudantes de Bragança Paulista

Vozes da literatura local despertam o encantamento pela leitura em estudantes de Bragança Paulista

Com contação de histórias, música e exibição de vídeos, autores da Ases transformam a rotina da Escola Municipal Professor José Murillo Arruda durante a 3ª Semana Literária

Os corredores e salas de aula da Escola Municipal Professor José Murillo Arruda (Juca Arruda) ganharam um ritmo diferente nesta semana. Afastando-se por alguns instantes da rotina tradicional de giz e lousa, a instituição vivenciou dias intensos de imersão cultural com a realização de sua 3ª Semana Literária e de Incentivo à Leitura.

O grande diferencial desta edição foi o encontro caloroso entre os estudantes e os escritores da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases), que transformaram páginas de livros em experiências vivas para centenas de crianças.

Ao longo de toda a semana, nos turnos da manhã e da tarde, a escola transformou-se em um palco de estímulo à criatividade. O público-alvo, composto por crianças de 8 a 12 anos, muitas delas em fase de consolidação da leitura, foi conduzido por uma programação que uniu contação de histórias, performances musicais, exibições audiovisuais e rodadas abertas de perguntas e respostas.

A abertura do evento, na segunda-feira, 21, ficou sob a responsabilidade das escritoras Camille Perissé e Henriette Effenberger, que ditaram o tom acolhedor e lúdico que marcaria a semana. No dia seguinte, terça-feira, 22, os escritores Cristina Cacossi e Celso Capodeferro assumiram o comando, apresentando a adaptação do conto “Infarto”, de autoria de Lyrss Cabral, transformado no curta-metragem animado “O Resgate do Canário Januário”, que prendeu a atenção dos pequenos espectadores. Na quinta-feira, 24, o período matutino contou com a bagagem intelectual do professor Vlademir Affonso e com a sensibilidade do casal Antonio e Maria Cestari, enquanto a parte da tarde encerrou a jornada literária com o dinamismo de Ana Maria Gazzaneo e Silvana Cardoso de Almeida.

FORMAÇÃO E PARCERIA

Para os integrantes da Ases, a oportunidade de dialogar diretamente com crianças recém-alfabetizadas foi descrita como um momento único de troca e renovação. O comportamento dos estudantes variou entre o silêncio absoluto da curiosidade e a euforia das palmas e perguntas ruidosas, evidenciando o impacto imediato das narrativas apresentadas.

De acordo com a associação, esse tipo de voluntariado cumpre uma dupla função social, pois além de formar novos leitores, descentraliza o acesso à arte e consolida o papel dos autores locais dentro da própria comunidade onde vivem e produzem.

O sucesso do projeto foi atribuído também à infraestrutura e ao planejamento da equipe escolar. Sob a coordenação da professora Lúcia Helena de Oliveira Bassi, o corpo docente estruturou a recepção dos artistas e garantiu que o conteúdo apresentado estivesse alinhado ao interesse pedagógico das faixas etárias atendidas.

Para a diretoria da Ases, a iniciativa reforça o papel insubstituível do livro físico e da contação de histórias “olho no olho” como ferramentas de transformação social, especialmente em um cenário educacional que desafia educadores a prender a atenção de uma geração hiperconectada. A associação defende que esse contato humano direto não apenas estimula a imaginação, mas constrói uma ponte sólida e duradoura entre os jovens bragantinos e a literatura local.

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