Santa Casa de Bragança faz história com primeiro monitoramento cerebral de prematuro extremo

Santa Casa de Bragança faz história com primeiro monitoramento cerebral de prematuro extremo

Tecnologia inédita no interior paulista mapeia atividade elétrica de recém-nascidos e identifica convulsões invisíveis na UTI Neonatal

A Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista alcançou um marco histórico para a medicina assistencial da região ao realizar o primeiro monitoramento cerebral contínuo em um bebê prematuro extremo no interior de São Paulo. A incorporação da tecnologia de Eletroencefalograma (EEG) contínuo amplia drasticamente a capacidade da equipe de acompanhar o funcionamento do cérebro em tempo real.

Enquanto os monitores convencionais de uma UTI Neonatal mapeiam sinais vitais básicos como batimentos cardíacos, respiração e oxigenação, o novo sistema monitora a atividade elétrica cortical, permitindo que a junta médica reconheça alterações precocemente e aja com maior assertividade durante os momentos mais críticos da internação de recém-nascidos vulneráveis.

O CASO CLÍNICO DA BEBÊ HELLENA

O pioneirismo da nova tecnologia no hospital foi aplicado no caso de Hellena, uma recém-nascida prematura extrema e de extremo baixo peso, nascida por meio de uma cesárea de urgência motivada por um quadro de pré-eclâmpsia materna.

Nos seus primeiros quatro dias de vida, a bebê enfrentou uma infecção precoce e instabilidade circulatória severa. Aos 12 dias, a equipe iniciou o monitoramento cerebral contínuo, conseguindo mapear com precisão a formação do ciclo de sono e vigília, além dos níveis exatos de oxigenação do cérebro e dos rins.

Hoje, aos cinco meses de idade corrigida, os relatórios da mãe, Jaqueline, confirmam que a filha apresenta desenvolvimento motor excelente, emitindo sons, pegando objetos e firmando o pescoço perfeitamente.

NEUROPROTEÇÃO ORIENTADA POR DADOS OBJETIVOS

A grande relevância clínica do investimento reside no fato de que a maioria das crises convulsivas em prematuros é puramente elétrica, ocorrendo sem nenhum reflexo físico perceptível aos olhos da enfermagem. O monitoramento contínuo permite identificar precocemente essas alterações subclínicas, rastrear respostas a tratamentos e apoiar decisões sobre a real necessidade ou suspensão de anticonvulsivantes, diferenciando crises reais de meros espasmos naturais.

O programa implantado na Santa Casa une o maquinário de ponta a um protocolo de capacitação longitudinal dos intensivistas, consolidando o hospital como um polo de referência em neuroproteção neonatal no interior do estado.

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