B R A S I L… I A
No próximo sábado, 18 de julho, completo 55 anos de Brasil.
Foi num fim de tarde frio e cinzento que desembarquei em São Paulo, ainda chamada de “terra da garoa”. E garoava mesmo. O frio parecia dar as boas-vindas a um jovem paraguaio que não imaginava que aquela viagem mudaria sua vida para sempre.
Percorri este país de Norte a Sul, conheci paisagens inesquecíveis, gente de todos os sotaques e aprendi a amar esta terra como quem ama a própria casa. Numa outra oportunidade contarei minhas aventuras nesses 55 anos de Brasil. Histórias não faltam.
Entre todos os lugares que conheci, um sempre exerceu um fascínio especial sobre mim: Brasília.
Sua história começou muito antes de Juscelino Kubitschek. Desde o período colonial já existia o sonho de levar a capital para o coração do país. A ideia atravessou Império e República até que JK resolveu fazer aquilo que muitos apenas discursavam: transformar sonho em concreto.
Em 1956 foi criada a NOVACAP e, em ritmo quase inacreditável, milhares de trabalhadores — os eternos candangos — ergueram uma cidade onde antes havia apenas cerrado. Em 21 de abril de 1960, Brasília foi inaugurada e o mundo voltou os olhos para aquele feito extraordinário.
Lúcio Costa desenhou o Plano Piloto. Oscar Niemeyer deu curvas ao concreto. Mas foram mãos anônimas, calejadas e esperançosas que levantaram uma das mais ousadas realizações da engenharia e da arquitetura do século XX.
Brasília nasceu para simbolizar o futuro. Pena que, muitas vezes, o futuro demora a chegar aos gabinetes onde se decide o destino de milhões de brasileiros.
Os palácios continuam belíssimos. O concreto permanece firme. Já algumas convicções… essas parecem ter sido construídas com material de qualidade duvidosa.
Nestes tempos, mais uma vez, os olhares do país se voltam para Brasília. E isso me faz lembrar que nenhuma democracia vive apenas de prédios monumentais ou discursos inflamados.
Ela vive do voto.
Desde a Grécia Antiga, votar significa confiar a alguém a responsabilidade de representar um povo. Nas democracias, o voto é a voz do cidadão. Nas ditaduras, é justamente essa voz que se procura calar.
Infelizmente, muitos ainda tratam o voto como um favor, uma mercadoria ou uma simples obrigação de domingo. Depois reclamam dos governantes como quem reclama da chuva, esquecendo que foram eles próprios que ajudaram a escolher o meteorologista.
O voto continua sendo a ferramenta mais poderosa de uma sociedade livre. Não resolve tudo, mas sem ele nada se resolve.
Ao completar 55 anos de Brasil, olho para trás com gratidão.
Não nasci brasileiro. A vida, porém, fez-me brasileiro de coração. Este país me acolheu, deu-me amigos, trabalho, família e incontáveis motivos para permanecer.
Se hoje escrevo estas linhas, é para agradecer.
E também para lembrar que o Brasil será sempre maior do que seus governos, seus partidos ou suas crises. Países são construídos por seu povo. Governantes apenas passam por eles.
Que Brasília continue sendo símbolo de esperança e não apenas cenário das nossas decepções.
Parabéns, Brasil
E que Deus continue abençoando esta nação que um dia me recebeu como estrangeiro e me permitiu sentir, com orgulho, que também sou um pouco filho dela.
Professor Pedro Troche Gonzalez


