O TEMPO E O AMOR

O tempo poderá corroer as colunas do templo, poderá reduzir a pó os corpos, ou ainda levar a lucidez das ideias e das lembranças para o mundo dos esquecidos. Mas o Amor, não. O Amor não se extingue como não se extingue a Luz; o Amor, de tão sagrado e de divina e laboriosa criação, é lacrado e impermeabilizado de tal maneira que jamais as ações dos relógios poderão enfrentá-lo, nem mesmo os mais atrevidos desequilíbrios das estruturas dos pensamentos e sentimentos.

O Amor não é fantasia, não é fruto inventado da poesia dos homens; o Amor é parte daqueles que se elevam ao abrir o “terceiro olho”, daqueles que abrem as celas das realidades menores. E convidam a todos pelo caminho à Bem-aventurança, pois o Amor, quanto mais se oferta, mais há abundância. Quanto mais conexões entre corações, mais se ouvirá o Criador. Quanto mais a generosidade e a bondade, mais virá a compreensão em voo certo e belo, e pousará no campo mental da razão. Quanto mais o Amor, menos as lágrimas desnecessárias que deixam o íntimo em um deserto estado alucinado e febril. Quanto mais o Amor, menos as dores do mundo a ulcerar a paz.
O orgulho e a vaidade deixam de ter significado; não perderemos mais tempo com essas bandeiras de mensagens vazias, ideologias fracassadas inventadas pelos homens em suas reuniões nas cavernas da evolução. Saibam, homens, que a Luz é maior que todas as constelações vistas, imaginadas ou sonhadas. Saibam, homens, que os atritos dos desencontros das intenções infantis não terão importância alguma, significado algum; serão palhas secas roladas pelas ações dos ventos.

O Amor não é cego, ele vê.
O coração que era ferido, depois do Amor já não sente dor alguma.
O sentimento que era tão feroz, depois do Amor, amansou.
A imaginação que antes de tudo era sonho, depois do Amor, acordou…

O Amor será Amor mesmo quando os corpos forem outros, depois de virarem pó.
O Amor será Amor mesmo quando as colunas que o edificaram não forem mais nada, depois que o mármore também virar pó.
O Amor será Amor mesmo quando não mais houver o tempo, depois que todos os relógios dos tempos e das horas forem redenção.

O Amor será Amor mesmo quando nos desencontrarmos dele.

Nilton Bustamante

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