A MENSAGEM

A MENSAGEM
(por Nilton Bustamante, em desdobramento espiritual)

Logo quando o sono me voltou, muito rapidamente fui levado a uma comunidade na Bahia, originária de escravos africanos. No largo da rua, onde costumavam estacionar ou guardar coisas, encostei-me em um objeto qualquer, que não sei identificar o que seria. Nisso, um homem negro veio feroz em minha direção, ameaçando-me tanto quanto podia.

Tentei argumentar algo mentalmente, mas não conseguia. Comecei a ver o cenário de forma mais ampla, e o lugar parecia, na verdade, um quilombo espiritual com suas tradições.

A energia não era boa.

Alguém me inspirou — pois nos desdobramentos nunca estamos sozinhos, há muito mais companhia e proteção do que podemos supor —; estendi meu braço e levantei a mão espalmada ao céu, em um ângulo entre 70 e 80 graus. Uma energia das alturas benditas me sustentava.

Sem nunca tirar a mão daquela posição voltada para o céu, comecei a caminhar. Aquele senhor, espantado, agora em silêncio e confuso, acompanhava-me. Instintivamente, percebi a edificação principal à qual ele estava ligado energeticamente: o epicentro espiritual do lugar.

Entrei.

E foram aparecendo as entidades, seguindo as hierarquias deles. Nada diziam; tentavam se opor, mas, sem sucesso, abriam caminho. Fui passando ambiente por ambiente, cômodo por cômodo, diante de tantos outros que vinham e se afastavam, mas acompanhavam meus passos. Cheguei até onde podia ir e, diante de uma senhora que demonstrava ser a líder principal, parei.

Ela me mentalizou:

— “Você é um anjo de Deus?”

Não respondi. Até estranhei pronunciarem o nome de Deus naquele lugar, com uma vibração tão baixa. Continuei com a mão estendida ao “céu” e fui para outra repartição.

Parei novamente e mentalizei para a mesma senhora, que me acompanhava junto daquela multidão:

— “Jesus enviou uma mensagem. Gostaria de dizê-la, se vocês me permitirem.”

Nisso, senti a resistência vibratória diminuir bastante; aquela “disputa de braço de ferro”, que era travada silenciosamente, ficou mais branda. Em minha intuição, percebi que eles se sentiram respeitados, mas não por isso menos perigosos em suas inconfessáveis vontades.

Com o aceno positivo da senhora, complementei:

— “Jesus deseja que vocês façam somente o Bem. O mal que se faz volta, sempre, para quem o fez.”

Em meu íntimo, uma voz me orientou que eu já tinha dado o recado necessário e que era para sair dali o quanto antes. Dirigindo-me à saída, em outra ponta, sem nunca abaixar a mão — meu elo com a Espiritualidade Bendita, que me dava toda a força, energia e sustentação de que precisava para tal tarefa —, segui para o mundo dos homens.

Acordei, com a graça de Deus.

Nilton Bustamante

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