Autor: Nilton Bustamante
Ah, se tu soubesses, amor meu,
o que faço pelos dias, pelas noites:
ser vidraça,
ser silêncio a me vestir de sereno,
deixar suave e macia
a vida ao teu lado,
para não te ver sofrer.
Amor meu,
se tu soubesses…
Fazes mais que a chama
em minhas asas de cera, a me largar
das infinitas alturas, esquecidas de mim mesmo.
Ah, amor meu,
se tu soubesses…
Correndo nos campos meus,
livre, flores às mãos,
sorrindo,
apanhando ventos
em rodamoinhos de adeus,
sairia em desejado abraço,
deixaria de ser lembrança.
Ficaríamos segurando taças vazias,
olhando os dias vindo quentes em noites frias,
e os olhos teus carregando os meus
em perdições que não consigo entender,
que não consigo saber
o que poderia vir depois,
quando seríamos apenas instante sem tempo:
tudo o que se queria,
tudo o que se permitiria… até mesmo ser feliz.
Ah, amor meu,
se tu soubesses…
Colmo amo o amor teu, serias filme sem final:
todas as vezes que teus olhos fossem fechados,
todas as vezes se abririam
nos meus.


