
Regina Maria Zanini Damázio
Entre a delicadeza do gesto e a força da palavra.
Filha de Aurélio Zanini e Lourdes Garcia Zanini, Regina Maria Zanini Damázio nasceu em Bragança Paulista, em 1958 — um ano simbólico em que Gabriela, Cravo e Canela ganhava o mundo pelas mãos de Jorge Amado, como se a literatura, desde então, já soprasse seu destino.
Graduada em História pela Faculdade de Ciências e Letras da FESB, Regina construiu uma trajetória profissional sólida e comprometida. Atuou no Clube de Campo de Bragança Paulista e na empresa D’Pascoal, até ingressar, em 1980, por concurso público, na Câmara Municipal de Bragança Paulista. Ali, dedicou décadas de trabalho exemplar, ocupando diversos cargos ao longo de sua carreira até sua aposentadoria, em 2010.
Mas é no território da sensibilidade que Regina se revela em plenitude.
Associada à União Brasileira de Trovadores (UBT) e à Associação de Escritores de Bragança Paulista (ASES), participou de inúmeras coletâneas literárias, consolidando sua presença no cenário cultural regional.
Herdou do pai o amor pelos livros — e, com ele, abriu as portas para universos que moldaram sua essência.
Sentiu a pulsação de Água Viva, de Clarice Lispector; testemunhou as nuances humanas nas narrativas de Luis Fernando Verissimo; navegou pelas dores e esperanças de Capitães da Areia; e se debruçou, por anos, sobre o enigma eterno de Capitu, criação magistral de Machado de Assis.
Essa travessia literária não apenas a formou como leitora — mas a transformou em alguém que compreende a alma humana com rara delicadeza.
Regina destaca-se pela cordialidade genuína, pela simpatia que acolhe e pela participação ativa na vida cultural de Bragança Paulista. Sua presença não é apenas percebida — é sentida.
Na esfera pessoal, revela ainda mais grandeza: dedica-se à família com um cuidado que transcende o comum, oferecendo amor, atenção e dignidade, especialmente no zelo por uma irmã que necessita de cuidados especiais — uma entrega silenciosa, mas profundamente eloquente.
Há mais de duas décadas, tive a honra de conhecer Regina. Em um gesto simples, mas revelador de sua essência, foi a primeira a doar livros para uma feira cultural escolar quando precisei. Ali, sem discursos, ela já dizia quem era.
A vida, generosa em seus encontros, colocou Regina em meu caminho — e dela guardo não apenas respeito, mas admiração profunda.
Porque há pessoas que passam pela vida.
E há aquelas que, como Regina, tocam a vida dos outros — e permanecem.
Mário Doro
PORTAL D’ORO
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