O C I R C O

RESPEITÁVEL PÚBLICO, TEMOS A HONRA DE APRESENTAR O MAIOR ESETÁCULO DA TERRA:                                                                                           O GRANDE CIRCO

O circo, que outrora foi a diversão predileta de todos, perdeu grande parte de seu prestígio nas últimas décadas — não apenas com o advento do cinema e da televisão, mas também com o surgimento das novas formas de entretenimento que cabem na palma da mão e que revolucionaram os costumes de outros tempos.

Entretanto, o espetáculo não acabou. Apenas mudou de endereço.

Os circos de hoje — o automobilismo, as eleições, as guerras, entre outros — são apresentados de modo a oferecer ao espectador atrações variadas e envolventes. Ainda assim, sabemos: nada disso é realmente novo. Trata-se, na essência, da repetição dos velhos números, agora revestidos com figurinos modernos e efeitos mais sofisticados.

Trapezistas, equilibristas, malabaristas e contorcionistas continuam sendo indispensáveis a um bom espetáculo — estejam sob a lona desgastada de um picadeiro antigo ou nos arranha-céus reluzentes das grandes cidades.

Os animais também permanecem em cena: elefantes, camelos, ursos, cães, cavalos, macacos, tigres… e, simbolicamente, ainda se mata um leão por dia — seja nas jaulas, nas savanas, seja no asfalto. Corajosos domadores seguem exibindo sua habilidade, ainda que, muitas vezes, não saibamos ao certo quem doma quem.

Para um público cada vez mais exigente, o novo circo precisa apresentar números notáveis. E, como não poderia faltar, entram em cena os impagáveis palhaços — agora vestidos com as extravagâncias do novo milênio, caricaturas do nosso tempo.

São palhaços que insultam outros palhaços, que se desafiam em duelos públicos, disputando não apenas a atenção da plateia, mas também a namorada, o carro, o emprego ou o espaço no picadeiro.

Após o espetáculo de ofensas e empurrões, embalado pelo estrondoso alarido da mídia, os dois palhaços, exaustos, chegam a um acordo — afinal, é preciso decidir quem ficará com a garota, com a mala de dinheiro ou, simplesmente, com a vez de lucrar.

E assim termina o número.

Não com aplausos sinceros, mas com a entrada de uma nova atração…

ou, como de costume, com uma bela pizza dividida entre os artistas do espetáculo.

 

Pedro Troche Gonzalez

Pedro Troche González

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