Ao longo dessa existência humana, digo essa, pois acredito em 3 anteriores, desde a estabilização do planeta, o mundo passou por varia epidemias, entre elas a peste negra, que deletou da face da terra, grande parte de seres humanos. Ainda recentemente tivemos a Covid, antes a Aids, Ebola e outras tantas, mas nada é pior que a atual epidemia.
A atual epidemia é cruel e altamente contagiosa, pois a cada dia, o contingente de doentes se multiplica geometricamente. Eles provavelmente não sabem a diferença de matematicamente e geometricamente. Estão doentes e, pior, não há possibilidade de cura. Não existe um antibiótico, um coquetel de proteínas, uma transfusão, ou cirurgia. Possivelmente a única cura se dará com fortes cargas de energia nuclear concentradas em grandes cilindros aerodinâmicos de metal.
Assim como nos piores filmes de ficção cientifica, humanos estão sendo transformados em zumbis. Sim, em total estado de putrefação, com a boca escancarada esperando o juízo final, enquanto baratas saem de seus orifícios e ratos se enojam ao pensar nesses seres que sofreram a involução da espécie.
As redes sociais se transformaram no maior catalogo de doentes. A ignorância agora é motivo para orgulho. Nunca tantos retardados, ignorantes, tiveram tanto espaço.
Hoje vejo cristãos vociferando por Israel, aquela localidade sionista, que cospe em cristão. Vejo velhos totalmente imbecis, escrevendo pela invasão norte-americana e bombardeando escolas. Vejo manifestações populares, falando em ditadura, livremente. Vejo idiotas reclamando do preço da gasolina, sem entender sequer o significado da venda de uma distribuidora e varias refinarias. Vejo zumbis pedindo prisão para bandidos e gritando por liberdade para bandidos. Não há mais, qualquer tipo de pudor quanto a própria ignorância.
E é terrível viver, ou conviver entre ignorantes. Pelo menos para mim.
Eu desde a adolescência, sempre encontrei dificuldade em conviver com ignorantes. E desde cedo nunca confundi ignorantes com gente humilde, ou de cultura resumida. O ignorante é acima de tudo um idiota arrogante, que no alto de sua ignorância, se julga especial, “diferenciado” (uma palavra idiotada, para transformar algo ruim em menos pior). Mas a situação hoje é bem pior. Temos mais ignorantes na classe média, muitos graduados e com grandes reservas monetárias. Esses são os piores, pois se tornam ídolos da nova classe, os “pobres de direita”.

Os pobres de direita são os zumbis da subserviência. Foram favoráveis a reforma da previdência, que lhes meteu mais 5 anos de trabalho antes da aposentadoria, e com menor salário do que receberiam. Aplaudiram um presidente que lhes deu 6 reais de aumento, numa inflação de 10%. Eles são contra a escala 5×2, pois acreditam que um dia vão ser ricos e podem perder dinheiro. Esses energúmenos são pela privatização. Sabesp, por exemplo, hoje estão sem água e pagam o dobro. Foram a favor da privatização da distribuidora BR, hoje o preço do combustível é liberado e culpam o governo que é contra a privatização.
O assunto da semana foi a qualificação de facções em “terroristas”, pelo estado mais terrorista do mundo, que nunca qualificou a KKK, como organização terrorista. Nem querem qualificar da mesma maneira, as milicias, ou organizações religiosas.
No início dos anos 1970, os EUA criaram o primeiro cartel de drogas, para arrecadar dinheiro para a CIA intervir na Nicarágua. Nos anos 1960, a Cia, viciou americanos com anfetaminas, como cobaias, para depois serem usadas em soldados no Vietnã. A ideia era conseguir formar um super soldado. Pablo Scobar dominou o tráfico por longos anos e gerava dinheiro para intervenções na América Latina, ou você acha que ele era mais poderoso que CIA, FBI e DEA? Depois foi descartado. 90% das armas de facções, são provenientes dos EUA. Ainda assim, o Zumbi da ignorância, apoia o louco estadunidense. Que tipo de ignorante, que se diz patriota, quer entregar seu país ao maior grupo terrorista do planeta?
Em nome de toda essa ignorância, a igreja vem tendo um papel fundamental na lavagem cerebral. Então temos mulheres gritando contra a igualdade das mulheres, homossexuais conservadores, negros contra cotas, indígenas apoiando madeireiros e grileiros, aposentados aplaudindo as perdas salariais e trabalhadores contra o fim da escala 6×1. É uma epidemia de ignorância. Sem cura cientifica a vista.
Eu considero meus 17 anos como minha idade de tomada de consciência, conversava muito com intelectuais, lia muito e buscava informação. Meu filho, de certa forma, age da mesma maneira. Perto de completar 17 anos, já leu muito mais que eu, principalmente filosofia. E nessa idade eu não tolerava ignorantes. Ele, meu filho, tem mais paciência. A intolerância à ignorância diminui a possibilidade de amizades, mas isso nunca me incomodou, tanto que aos 20 anos, eu ainda tinha os mesmos amigos feitos aos 13, ou 14 anos. São os mesmos hoje, com a mesma visão social do mundo, e, nesse grupo seleto, só acrescentei duas amigas, e quatro amigos, mais alguns mentores, bem mais velhos, com os quais convivi e busquei conhecimento. Hoje somente um é vivo. Os outros estariam com mais de 100 anos.
A busca constante por conhecimento nos leva a buscar grupos de alto nível cultural, o que fiz em diversas oportunidades, mas dificulta namoros, porem dei sorte. Na maior parte das vezes, elas contribuíram para meu enriquecimento intelectual, o que também me afastava mais dos idiotas. Muitas vezes peguei a estrada e fui conhecer gente que eu tinha estudado nos livros de história. Não existe mais esse tipo de preocupação, a população acostumou-se com a ignorância.
O que me trouxe, 6,5 décadas de vida, muito bem vivida, divertida, com altos e baixos, foi a constatação de uma civilização inútil. Eu sempre soube o que passar para meus filhos, mas hoje, tenho duvidas com o mais novo. Aos oito anos de idade, talvez fosse mais útil, para sua sobrevivência, se eu conseguisse “transforma-lo” em um garoto padrão.
Esses dias, conversando com moradores de rua, algumas histórias ficaram na minha cabeça e escrevi um livro sobre a vida de um personagem que me foi contado, claro que as lacunas eu completei de acordo com meu conhecimento da sociedade e principalmente da burguesia paulista, com a qual convivi desde o nascimento. E aí entra até a história real, de um conhecido da família, que comprou uma menina no interior da Minhas, para trabalhar em sua casa, mas era tratada como dá família, ele, cristão e conservador, até a estuprava uma vez por semana. E nessas partes, as histórias sempre se repetem. Aí se torna normal quando um presidente diz que pintou um clima com a menina de 13 anos, quando a vereadora que denunciava milicia é morta, quando troca-se uma refinaria por joias, ou vende-se um gasoduto para depois aluga-lo por uma preço maior que sua venda. Sim, normal, pois essas pessoas, burgueses complexados e manipulados por religiosos, passam a normalizar tudo aquilo que na verdade são, ou já fizeram, ou fariam por alguma vantagem. A sociedade hipócrita e complexada, se espelha no exemplo daquilo que possuem de pior, assim, funciona como uma desculpa para ela própria. Na verdade, apoiar, elogiar, eleger, lutar por um ser desprezível, é como dizer para si mesmo, eu não sou o único.
Essa é uma questão filosófica, onde o dinheiro dita normas e para ter dinheiro, geralmente não pode ter cultura, ou honestidade, ou no mínimo dignidade. Lembrei agora do final dos anos 1970, quando eu e um amigo, ficávamos bebendo no Clube Literário até altas horas, e muitas vezes, fazíamos comparações entre pessoas conhecidas da cidade. Um dia listamos os 10 mais ricos da cidade. Todos eram ignorantes. Todos tinham amantes, alguns amantes do mesmo sexo. Todos eram considerados vencedores, geradores de empregos. Todos pagavam mal. Todos tinham entre seus leques de negócio, pelo menos uma atividade ilegal, todos eram profundamente religiosos e apenas um, não apoiava a ditadura. Seus negócios foram construídos em cima do trabalho dos pobres. Muitos faziam parte da convivência. Acho que todos estão mortos. Seus herdeiros continuam com os mesmos vícios sociais.
Eu sempre me considerei socialista stalinista, e por alguma razão inexplicável, sempre tive muito contato com essa gente e não só naquela época. Alguns meses antes de me mudar para a Bahia, fui convidado para um café por um rico atual. Rico, não aquele que compra SUV Honda em prestação, ou BMW para mostrar. Rico é aquele que tem um avião, helicóptero, casa na Europa, na América Central, nesse caso também em Miami e em Havana. Ele queria saber porque eu iria mudar e justo para a Bahia, precisava de uma ajuda, em assunto que domino, na verdade queria alguém de esquerda para limpar sua barra e me fez uma oferta, que para a maioria dos cidadãos de bem, seria impossível não aceitar. Ele acabou ouvindo que o dinheiro não me movia. O que achou estranho. Mas nunca moveu. Ganhei muito em certa época, mas nunca me senti confortável com isso. Hoje não consigo falar sobre esses assuntos, pois o dinheiro vem na frente. É claro que todos precisam de dinheiro para viver, mas ninguém precisa de muito. E esse pensamento que que eu tinha aos 17 anos, persistiram até hoje. Mas isso dito, resta-me entender porque os únicos valores existentes hoje, são resultados da hipocrisia social, que transforma mata em deserto, gente em serviçais, humanos que deveriam ser progressistas em conservadores e mentes pensantes em mentes manipuladas por religiões e seres abstratos.
As 3:43 de sexta-feira, em março de 2026, com um copo de rum ao lado, tento entender como chegamos a isso. Os ignorantes, nessa progressão geométrica, já transformaram nosso país em hospício, em breve voltaremos a era medieval, invadidos por terroristas internacionais. Dos mês 17 anos, aos 67, a evolução social com a que eu sonhava, se transforma em ficção cientifica e um ensaio para a cegueira.


