Agora todo mundo quer abraçar.
Tirar foto.
E dizer que sempre soube disso.
A cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio passou mais de 25 anos trabalhando em silêncio no desenvolvimento da polilaminina — uma molécula com potencial para estimular a regeneração de neurônios lesionados e devolver movimento a pessoas com lesões na medula espinhal, algo que até então a medicina considerava quase impossível.
E de repente, quando os resultados começam a aparecer, não faltam celebrações, postagens e gente querendo aparecer junto.
Esse é um sintoma claro da nossa forma de pensar: todos querem estar próximos da vitória, mas poucos estiveram próximos do processo.
O mundo tende a aplaudir o resultado,
não quem suou, errou, tentou, falhou e tentou de novo.
O holofote ilumina quando o feito já está lá — não enquanto ele se constrói.
E isso tem tudo a ver com organizações e com a forma como tratamos talento e liderança.
Nas empresas acontece exatamente a mesma lógica:
🔹 Espera-se inovação e entrega impecável,
🔹 Mas não se dá espaço nem tempo para experimentação e erro calculado.
As pessoas querem ser reconhecidas quando já alcançaram algo — mas muitas evitam se expor quando ainda estão na arena, construindo.
O cérebro humano tende a se aproximar do que já é visto como seguro — e se afasta daquilo que ainda está em construção.
Isso faz com que muito potencial se perca antes mesmo de ser manifestado.
E quando olhamos para líderes, equipes e cultura organizacional, vemos o mesmo padrão:
👉 Valoriza-se quem já está consolidado
👉 Esquece-se quem ainda está em processo
Mas é no processo que a mudança real acontece.
Assim como Tatiana Sampaio não virou notícia antes dos resultados,
muitas inovações e potenciais líderes ficam invisíveis até que “algo aconteça”.
O papel das empresas — e de qualquer cultura que aspire a inovação e impacto — não é só aplaudir o resultado.
É construir ambientes que apoiem quem está trabalhando para alcançá-lo.
Quem faz isso, cria um ciclo virtuoso de crescimento sustentável.
Quem só celebra depois, cria uma cultura de aplausos tardios.
Porque o mundo não precisa apenas de vencedores prontos.
Precisa de perspectivas que aprendem, persistem e transformam sem olhar para a plateia.
— Pedro Fabrini


