O Brasil não paga pela mediocridade.

Paga por algo pior: por estar abaixo da média — e fingir que isso não importa.
“Medíocre” vem de média.
E nós estamos longe disso.
O Brasil convive há décadas com uma das piores taxas de produtividade do mundo. Produz pouco, cresce pouco e avança devagar. Ao mesmo tempo, quase 100 milhões de pessoas estão fora do mercado de trabalho e nem sequer buscam emprego — algo próximo de 30% da população. Não trabalham. Não produzem. Não contribuem. Mas consomem recursos.
E o cenário ainda piora.
Somos um país que envelhece rapidamente. Em poucos anos, teremos menos gente em idade produtiva e mais pessoas dependentes do Estado. Menos mãos trabalhando. Mais mãos estendidas. Uma equação simples — e explosiva.
Diante disso, o debate central deveria ser: ➡️ como aumentar produtividade
➡️ como qualificar pessoas
➡️ como gerar valor
➡️ como sustentar crescimento real
Mas não.
Estamos discutindo escala 4×3, fim da 6×1 e a ilusão de que trabalhar menos, produzir menos e exigir mais vai magicamente gerar prosperidade.
Isso não é política pública.
É populismo de curto prazo.
Governantes parecem não se importar se estão colocando uma bomba-relógio no colo das empresas e dos empresários, que já sustentam uma carga tributária absurda, burocracia sufocante e insegurança jurídica crônica.
Queremos descanso antes de produzir.
Direitos antes de deveres.
Resultado antes de esforço.
Até o relato bíblico é mais realista:
Deus trabalhou seis dias e descansou no sétimo.
Nós queremos descansar três, trabalhar quatro — ou pior — receber de graça, de mãos beijadas, como se a responsabilidade de tudo funcionar fosse sempre de alguém que não somos nós mesmos.
Essa mentalidade infantiliza o país.
Deseduca a população.
E destrói o futuro.
É profundamente triste ver um país com tantas possibilidades, tantos recursos e tanta gente capaz se perder por falta de foco, disciplina e responsabilidade individual e coletiva.
Se continuarmos nesse caminho, em breve “Ordem e Progresso” não passarão de palavras bonitas na bandeira.
Porque ordem sem responsabilidade não existe.
E progresso sem trabalho é fantasia.
Duro? Sim.
Mas necessário.
Negar a realidade nunca salvou nenhuma nação.

Pedro Fabrini

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