Autor: Mário Doro
“Ruminar não é sinal de inteligência.”
“Mastiga menos. Pensa mais.”
“Chiclete não disfarça falta de educação.”
“Mau hálito passa. Má educação fica.”
O chiclete moderno foi criado nos Estados Unidos no século XIX.
👉 O nome central dessa história é Thomas Adams.
Em resumo:
1869: Thomas Adams, um inventor americano, começou a vender chiclete feito a partir do chicle, uma resina natural extraída do sapoti.
A ideia surgiu após contato com o general mexicano Antonio López de Santa Anna, que mascava chicle como hábito pessoal.
Adams percebeu o potencial comercial e lançou o produto como algo para ser mascado continuamente, não como alimento.
Chiclete: hábito banal, consequências ignoradas
Tenho observado, com crescente incômodo, adolescentes e adultos mascando chiclete como se estivessem ruminando a própria saliva — por longos períodos, sem colocar alimento algum no estômago. Trata-se de um hábito aparentemente inofensivo, mas que carrega consequências pouco discutidas, tanto para a saúde quanto para a convivência social.
Do ponto de vista fisiológico, o ato contínuo de mascar estimula a produção de suco gástrico sem que haja alimento para ser digerido. Em médio e longo prazo, isso pode contribuir para desconfortos estomacais, gastrite e outras alterações digestivas. O corpo é enganado: acredita que vai receber comida, mas recebe apenas ar, saliva e açúcar — quando não adoçantes artificiais.
No campo do comportamento, o problema se agrava. Mascar chiclete de boca aberta é tão deselegante quanto comer de boca aberta diante de outras pessoas. Revela descuido com a própria imagem, falta de educação básica e ausência de empatia com quem está ao redor. Em salas de aula, ambientes profissionais ou espaços públicos, esse hábito beira o desrespeito coletivo.
Não por acaso, em alguns países, como a Indonésia, o uso do chiclete chegou a ser proibido por lei em determinados contextos. O motivo não foi moralismo, mas pragmatismo: o descarte inadequado transformou chicletes em lixo permanente, colado em calçadas, bancos, paredes e patrimônios públicos, gerando custos elevados de limpeza e degradação urbana.
Vale lembrar também que o chiclete moderno foi popularizado nos Estados Unidos como um produto altamente industrializado, carregado de açúcar ou substâncias químicas, vendido como solução rápida para mau hálito e ansiedade. Criou-se, assim, um hábito compulsivo: mascar por mascar, o tempo todo, como uma forma automática de ocupação da boca.
Não se trata de demonizar quem gosta de chiclete, nem de assumir o papel do velho ranzinza que reclama de tudo. Trata-se de chamar atenção para algo simples: educação, saúde e bom senso ainda importam.
Mascar de boca aberta é feio. Comer de boca aberta é feio. E transformar um hábito privado em espetáculo público é, no mínimo, falta de cuidado consigo e com os outros.
Talvez esteja na hora de lembrarmos que civilidade não é frescura — é convivência.



