Há comportamentos masculinos que já deveriam ter sido enterrados com o tempo, mas seguem vivos, repetidos e naturalizados. Jovens e mulheres de todas as idades continuam sendo alvo de olhares invasivos, comentários impróprios, aproximações forçadas e situações que nos deixam constrangidas — às vezes em plena luz do dia. E quantas vezes ouvimos: “Ah, mas ele não fez por mal”? A velha desculpa que tenta transformar desrespeito em normalidade.
Para muitas, isso começa cedo. A adolescente que aprende a andar olhando para baixo para evitar um comentário indesejado. A mulher jovem que muda de calçada para não ser seguida. A adulta que tenta “não causar problema” quando um colega ultrapassa limites que ela jamais autorizou. Quantas de nós já não viveram esse encolhimento emocional, esse cálculo silencioso de risco?
E por trás desses episódios existe um padrão: homens que se sentem autorizados. Autorizados a invadir. A comentar. A insistir. A ultrapassar o que é íntimo. A agir como se o corpo e o espaço das mulheres fossem públicos, disponíveis ao toque, ao olhar ou à opinião deles.
Mas é preciso dizer, com todas as letras:
Mulher não está aqui para servir de descarrego emocional, sexual ou de poder para ninguém.
Importunação não é charme. Assédio não é brincadeira. Constrangimento não é algo que devemos aceitar para “evitar confusão”. Se uma mulher se sente acuada, desconfortável ou pressionada, o erro não está nela — está em quem não respeitou seus limites.
As mulheres de hoje — jovens, adultas, maduras — não querem apenas circular pelo mundo: querem fazê-lo com dignidade, segurança e liberdade. Querem viver sem medo, sem comentários invasivos, sem toques indesejados, sem desculpas que minimizam a violência cotidiana.
O recado é simples e direto:
Respeito não é gentileza, é obrigação.
Por: Patricia Iara


